quinta-feira, 30 de maio de 2013

A História das Canções: A Tua Presença Morena


Daquelas que já resistiram à passagem do tempo, A Tua Presença Morena foi composta por Caetano Veloso há mais de 40 anos e segue bela. Bela e acolhedora. Quem seria essa “presença morena” tão forte que domina a canção? Pensei nisso muitas vezes e hoje, ao ler uma matéria com Maria Bethânia e Nana Caymmi, veio a resposta.

A Tua Presença, 1971
Qualquer Coisa, 1975
A canção foi gravada pela primeira vez por Bethânia e dá título a um disco dela (A Tua Presença) lançado em 1971. Na capa um enigmático perfil (mais cabelos que rosto) em preto e branco e o repertório com Jesus Cristo (Roberto e Erasmo), antigos sambas canções, como Se Eu Morresse Amanhã (Antonio Maria) e Folha Morta (Ary Barroso) e uma em inglês (a nostálgica What´s New, provavelmente a única que ela gravou nessa língua). E no terreno das raridades está também a Bethânia compositora – Mano Caetano, assinada com Jorge Ben, que participa da gravação). E a primeira faixa do lado B é A Tua Presença Morena, mandada por Caetano do exílio londrino, junto com Janelas Abertas Nº2. Caetano gravou A Tua Presença quatro anos depois em Qualquer Coisa lançado em 1975, junto com Jóia.


Bom, mas qual é a história de A Tua Presença Morena? Na tal matéria do Globo, Nana diz que sua favorita dela é A Tua presença. Para surpresa da amiga, Bethânia conta: “Sabe que Caetano fez essa canção para Nossa Senhora? Essa presença é Nossa Senhora. Lindo, né? Ele fez o “Hino a Nossa Senhora da Purificação”, e em seguida fez essa”.

Abaixo o link para a ótima matéria de Leonardo Lichote em O Globo e vídeos com as gravações originais de Maria Bethânia e Caetano Veloso - o de Caetano é com imagens de Viva México, de Sergei Eisenstein. O terceiro vídeo traz Caetano ao vivo, em 2008, homenageando o aniversário de Bethânia com a canção. 






segunda-feira, 13 de maio de 2013

A História das Canções: Pérola Negra


É hino da música brasileira, dá nome ao disco de estreia de Luiz Melodia lançado em 1973 e foi gravada dois anos antes por Gal Costa  em Fatal. Foi composta em 1969, quando Melodia era um garotão de 18 anos do Morro do Estácio, e inicialmente chamou-se My Black. Mudou de nome por sugestão de Wally Salomão, que foi quem o apresentou a Gal que, em 1971, foi a primeira a gravar Luiz Melodia.

E foi feita pra quem? Bom, só descobri dia desses, numa matéria excelente de Leandro Souto Maior (O Dia) sobre os 40 anos de Pérola Negra, o disco.  “Fiz inspirado por uma menina com quem eu saía quando tinha uns 18 anos. Mas eu era o segundo cara. Quando o namorado dela chegava, eu tinha que sair correndo pelos fundos”, contou Melodia.

Abaixo, o link para a matéria de O DIa, em que Melodia fala de todas as músicas de Pérola Negra, o disco. E depois, o vídeo com a gravação original de Pérola Negra.






quinta-feira, 25 de abril de 2013

O colaborador secreto de Janete Clair


Hoje, 25 de abril, Janete Clair faria 88 anos. Foi com as tramas dela - e de Geraldo Vietri - que eu, bem menino, me iniciei nas novelas. Abaixo, uma história que pouca gente sabe: Silvio de Abreu foi "colaborador secreto" de Janete em Sétimo Sentido. A história é linda, ele a manteve em segredo por muito anos e a contou pela primeira vez em Um Homem de Sorte, livro que escrevi para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de Sâo Paulo. Abaixo, Silvio de Abreu fala de Janete Clair.

Francisco Cuoco e Regina Duarte: Sétimo Sentido
"Conversava muito com Janete Clair e passei a frequentar sua casa. Ela escrevia Sétimo Sentido, quando descobriu que estava com câncer e tinha de fazer uma operação. Janete não queria que ninguém soubesse que ela estava doente e muito menos que estava precisando de ajuda para continuar sua novela de sucesso. Eram outros tempos, onde dividir a escrita com um co-autor ou colaborador denotava certa incapacidade. Perguntou-me se eu aceitaria ser seu colaborador em segredo, e era evidente que sim: além do privilégio de colaborar com ela, Janete era uma pessoa adorável. extremamente responsável e fora responsável pela novela de sucesso que eu acabara de fazer. Fiquei no Hotel Savoy carioca, meio que escondido, só me comunicando com ela e com a produção, e escrevi uns 40 capítulos de Sétimo Sentido, que tratava da paranormalidade de Luana Camará (Regina Duarte) e seu amor enlouquecido por seu principal antagonista, Tião Bento (Francisco Cuoco). Aprontava o capítulo e levava para Janete, que corrigia o que queria e mandava para a televisão. Por telefone, acertávamos como seria o outro capítulo, eu escrevia e mandava no dia seguinte. Toda a vez que eu ia a sua casa combinar o que fazer, a encontrava sempre muito mal e era muito triste vê-la com a bolsinha de colostomia.No final da novela, já estava bem melhor, recuperada da operação e o último capítulo é tradição entre os novelistas, é do autor principal do começo ao fim. Ao entregar o penúltimo e despedir-me dela, ouvi no seu desprendimento a melhor maneira de demonstrar seu respeito e seu agradecimento: Vamos fazer juntos, metade cada um. Fiu até a página 15 e ela até o fim. Depois me presenteou com um lindo chaveiro de ouro com meu signo, Sagitário, que guardo até hoje com enorme carinho. E ainda dizem que os grandes mitos da televisão são egoístas e competitivos."

E aqui, o link para ler ou baixar Silvio de Abreu - Um Homem de Sorte






segunda-feira, 8 de abril de 2013

A história das Canções: Foi um Rio Que Passou em Minha Vida


É a criatura mais absurda da música brasileira, o Paulinho da Viola. Aquelas canções dele são o máximo em sofisticação e simplicidade ao mesmo tempo. Melhor a cada vez que se ouve, Foi um Rio Que Passou em Minha Vida segue o estilo Mestre Paulinho.Se um dia Meu coração for consultado Para saber se andou errado Será difícil negar. Ok, nasceu para homenagear a Portela, mas de onde terá vindo a ideia para a canção? Ontem, no Fantástico, Paulinho contou.

No final dos anos 70, ele frequentava uma livraria na Rua México, Centro do Rio de Janeiro e um dia, seus olhos se fixaram em um livro ali exposto: Por Onde Andou Meu Coração. Com esse título na cabeça, compôs a cultuada exaltação à Portela, lançada em 1970.

E que título belo é Por Onde Andou Meu Coração. O livro também é incrível, um dos mais belos de memórias já publicados no país. Foi escrito por Maria Helena Cardoso, a irmã de Lucio Cardoso. E se quiser saber mais a respeito, é só acessar o link abaixo:




quarta-feira, 20 de março de 2013

O encontro


Aprendi a gostar das manhãs. Tanto que até dei pra acordar meia hora mais cedo só pelo prazer de alguns momentos a mais em casa, despertando sem pressa pros afazeres de todo dia. Na hora de sair pra rua, um quase ritual: ipod no aleatório e vou prestando atenção naquelas que ele vai escolhendo. A de hoje foi Diga Lá, Coração, com o Gonzaguinha. “São coisas dessa vida tão cigana, caminhos como as linhas dessa mão”: atento àqueles versos, no passito a caminho do ponto de ônibus, observo árvores, prédios e pessoas com quem cruzo praticamente todo dia e no mesmo horário, alguns com cachorros, uma velhinha com a tratatadora – o maluco é que a moça tá sempre conversando com alguém e fica lá a velha senhora com o olhar perdido em algo que adoraria saber o que.

Antes de dobrar a esquina, o encontro. Uma mulher me aborda para pedir dinheiro. É negra, ali pelos 25 anos, toda vestida de preto. Tiro o fone do ouvido, cato moedas no bolso e ela me diz: “moço, tô toda inchada aqui”,  e levanta a camiseta e toca por sobre a legging na altura da virilha. A voz parece saída de algum lugar muito próximo de onde habita a tristeza mais tenebrosa. “Calma, vai passar”, digo. “Não, não vai passar”, recebo de volta, com um olhar demolidor fixo no meu e, depois de um breve silêncio, vem um “tô fedendo”, naquela voz só desamparo. Falo para ela procurar um abrigo, sei que tem um ali bem pertinho, e me responde com os olhos algo como “vou fazer isso”. 

Mais silêncio entre nós e digo pra ela tentar pensar em um momento feliz que lhe tenha acontecido. Aqueles olhos negros fixos nos meus se amainam de repente, agora não existe apenas miséria ali, há um brilhar, um brilhar triste, mas um brilhar. Mais alguns segundos de silêncio, olhos nos olhos: “fica com esse momento, pensa nele”, digo antes de seguir o meu caminho. “Dá um cigarro” e lhe passo o que tinha acabado de acender. “Fica bem”, digo antes de virar as costas. Ela nada responde, fica ali, parada na esquina, fumando. Passos lentos, sigo o meu caminho, recoloco os fones no ouvido, Gonzaguinha ainda está cantando e, de algum jeito muito doido, aquela mulher triste me acompanha. Tento pensar em algum dos meus momentos felizes (hábito meu para momentos complicados), não consigo. Ela não me sai da cabeça. São coisas dessa vida tão cigana.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

A história das canções: Quero Voltar Pra Bahia


Revista Amiga, setembro 1970

A página da revista Amiga, de setembro de 1970 (ao lado), surgiu dia desses. Pouco tempo depois, alguém comentou que só conhecia Quero Voltar Para Bahia e se eu tinha outras do Paulo Diniz. Sempre atento aos sinais, lembrei da matéria e levei alguns dias para encontrá-la numa das tantas pastas de guardados que adoro acumular. Mas qual a importância da tal página? Seguinte: ali, Paulo Diniz conta que compôs a canção pro Caetano Veloso. Desconfiava disso, mas não me lembrava de ter lido a respeito. Então, eis mais uma composta pra Caetano em tempos de exílio – a outra é Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, de Roberto Carlos. Abaixo, o trecho da reportagem assinada por Paulo Lopes em que Paulo Diniz fala a respeito. Ah, não tinha discos do Paulo Diniz, comprei o Quero Voltar Pra Bahia e me apeguei a outra dele, Piri Piri, que tá lá embaixo, após Quero Voltar Pra Bahia, claro.


E como nasceu Quero Voltar pra Bahia?
Caetano Veloso escreveu uma carta para um amigo meu, dizendo que estava aprendendo inglês, que estava morrendo de saudades do Brasil e da Bahia. Então escrevi a música, que em certa parte  diz: “Eu não vim aqui para ser feliz, cadê o meu sol dourado, cadê as coisas do meu país”.

E por que aquela frase em inglês na música?
Eu explico. Quando comecei a escrever a letra, pensei que a primeira frase que ele iria aprender em inglês era esta (em inglês de beira do cais): “I don´t want to stay “hia”, I wanna to go back to Bahia”.

Caetano Veloso já ouviu sua música?
Já. E chorou. É por estas e outras que eu acho o Caetano o maior poeta brasileiro.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A volta e as reviravoltas de Rainha da Sucata


Rainha da Sucata está de volta, no horário nobre do Viva, a madrugadinha, e tem repercutido bem junto ao público. É movimentada, ágil, cheia de acontecimentos. Dia desses, após assistir um capítulo, fui conferir o que Silvio de Abreu conta da novela em Um Homem de Sorte, livro-depoimento dele para a coleção Aplauso, que tive a honra de escrever, com supervisão do próprio, em 2005. É um capítulo inteiro – Reviravoltas – repleto de ótimas histórias (o confisco do Collor, a "concorrente" Pantantal, etc), uma espécie de balanço de Rainha da Sucata, que levou um certo tempo até virar um sucesso de audiência. Abaixo, o capítulo inteiro. E lá no fim, o link para ler o livro na íntegra ou para download.


Capítulo XXI
Reviravoltas
Logo que acabei de escrever Boca do Lixo, fui chamado para criar uma nova novela para as oito da noite. Uma sinopse apresentada por Dias Gomes havia sido recusada e necessitavam urgentemente outra. Tentei argumentar que ainda não me achava apto a encarar o desafio, mas Boni me autorizou a escrever dentro do mesmo gênero que havia inventado para as sete horas, privilegiando o humor.Senti-me mais confiante de poder pisar em terreno conhecido e assim, como comédia começou a nascer Rainha da Sucata, a primeira trama do horário dito nobre, passada em São Paulo. Fiz a sinopse em menos de um mês e comecei a desenvolver os capítulos em seguida.

Rainha da Sucata estreou com 30 capítulos escritos e, já na segunda semana de exibição, senti que não tinha engrenado. A audiência era boa, o público parecia se divertir, mas ninguém comentava. E sou de opinião que novela deve ser como catapora, precisa pegar, e nem tem de fazer sentido, precisa fazer sucesso, porque é o circo do povo. Na verdade, os problemas começaram uma semana antes de a novela ir ao ar, quando Fernando Collor de Mello assumiu a Presidência e prendeu o dinheiro de todos nós. Era uma época de inflação absurda, a novela girava em torno do vil metal – a história de uma família quatrocentona falida e de uma família cafona, cheia de grana – mostrando que na sociedade moderna o dinheiro estava mudando de mãos, como havia sido constatado por uma pesquisa muito bem elaborada por Rose Saldiva.

Glória Menezes, Tony Ramos e Regina Duarte:  o trio de protagonistas


Tive que reescrever vários capítulos, pois o confisco do governo inviabilizava muitos personagens, que negociavam com dólar, aplicavam no over, práticas que tinham acabado de uma hora para outra. Os capítulos iniciais já estavam gravados e precisei reescrevê-los, às pressas, para estrear dentro da nova realidade econômica do País. Foi um trabalhão e quando a novela estreou com os personagens reclamando do dinheiro preso, os jornais publicaram que a Globo já sabia do confisco e não avisou a população. Isso criou uma imensa má vontade do público e da imprensa contra a novela, apesar de não passar de um boato maldoso e infundado.

Era comum aparecer nos jornais insinuações sobre a minha incapacidade de levar a contento uma trama no horário principal da emissora: Como é que ele não quer mais fazer chanchada? Ficou pretensioso e agora quer fazer novela das oito. Esse tipo de pensamento é engraçado, já que numa carreira é fundamental não se ter medo de se lançar a novos desafios. Há que se fazer de tudo. Eu quero escrever novela que se passe no céu ou no inferno, onde a trama me levar. Quero ter a liberdade de fazer novelas dramáticas, policiais, sociais, políticas, cômicas, farsescas, mexicana, enfim, o que me der na telha. Não sou obrigado a ficar limitado à comédia, só porque fiz uma novela tão emblemática como Guerra dos Sexos. Ou vou ter sempre que fazer policial, só porque A Próxima Vítima parou o País?
Com tanta coisa contra e ainda sentindo a fria recepção do público com relação à novela, tive de enfrentar o crescimento de Pantanal, a excelente novela de Benedito Ruy Barbosa, que era apresentada na extinta Rede Manchete. Eram tempos de vamos derrubar a Globo, agora apareceu a Manchete e todos os elogios iam para a concorrência, que assim como a minha, era um ótimo programa. Por mais que os jornais tenham explorado o embate, a verdade é que as duas novelas jamais concorreram no mesmo horário. Sabiamente, a TV Manchete esperava Rainha da Sucata acabar para começar sua novela, que ganhava cada vez mais números de audiência em cima da linha de shows e só concorria com a novela da Globo no prestígio junto à imprensa.

Como se tudo isso não bastasse, um gravíssimo problema particular apareceu em minha vida, logo após a sinopse ter sido entregue.Ubaldo, meu irmão, acometido de uma infecção no cérebro, voltou para o Brasil, quase sem esperanças de vida. Vê-lo daquela maneira, perdendo os movimentos, a visão, a fala, ia me acabando dia a dia, mas, além da novela, tinha que manter o equilíbrio em casa, principalmente o dos meus pais que, já bem velhos, assistiam à degradação do filho querido. Todos em nossa família cuidávamos dele da melhor maneira que podíamos e eu necessitava urgentemente encontrar alguém para ser meu colaborador no texto da novela. Não tive sorte, tentei várias pessoas e nenhuma engrenava. Complicando ainda mais, era a primeira novela que escrevia em computador e a minha adaptação àquela máquina infernal, que sumia com meus capítulos a cada pique de luz, me deixava maluco.

Enfim, com tudo isso, ia tocando a história e só depois percebi onde estava meu erro como autor na condução da novela: sem tempo hábil para raciocinar e desenvolver as histórias principais, ia mantendo tudo em fogo brando, fazendo cenas episódicas, cotidianas, de histórias paralelas, arrumando gags e acontecimentos meio sem importância, esperando a hora de poder, realmente, ter a cabeça tranquila para mergulhar na história que interessava. Evidentemente, não percebia isso na época e foi Gilberto Braga quem me alertou e, depois da morte de meu irmão, por volta do capítulo 50, me ajudou a dar um rumo de sucesso para a Rainha da Sucata.

A história continuou a mesma, mas o que seria narrado em forma de comédia passou a ter um gosto de drama, centralizado nos personagens de Maria do Carmo (Regina Duarte), Edu (Tony Ramos) e Laurinha (Glória Menezes), o trio de protagonistas. O riso não foi abandonado, e sim reservado a outro núcleo de personagens, todos com enorme aceitação popular, como Dona Armênia (Aracy Balabanian) e suas “filhinhas”, Nicinha (Marisa Orth), Caio (Antônio Fagundes) e Adriana (Cláudia Raia). Contei o que queria contar, mas de uma maneira que os espectadores entendessem e se empolgassem. Misturei comédia com drama, riso com tragédia e conquistei a audiência do horário, que exige um núcleo dramático mais forte, gosta de torcer pela mocinha que sofre. Agarrei de vez esse público quando Edu e Maria do Carmo se casam e ele se recusa a ir para a cama com ela.

Por volta do capítulo 100, consegui encontrar o talento profissional que eu buscava para ficar a meu lado e Alcides Nogueira entrou para me ajudar. Excelente autor e companheiro maravilhoso, foi a recompensa que ganhei depois de toda a infelicidade que provei no início da empreitada. Profissional irreparável, amigo carinhoso e escritor criativo, Alcides Nogueira gosta de escreve à noite e eu de dia, e essa diferença de fusos horários até contribuiu para nosso entrosamento. Acordava às seis da manhã, ligava para ele, que tinha acabado o capítulo que lhe passara no dia anterior, ele me enviava, eu relia, colocava os meus chistes, escrevia o capítulo seguinte, fazia a planificação do próximo dele e às oito da noite lhe passava para ele escrever de madrugada. Foi um período tranquilo e agradável com a novela engrenada no gosto do público, com todo o Brasil repetindo o bordão Na Chon! de dona Armênia, as mulheres usando franja como Maria do Carmo e os pontos de audiência subindo cada vez mais. Foi a segunda vez que enfrentei uma crise como escritor de novelas, mas outras estariam por vir.

E aqui, o link para ler ou baixar Um Homem de Sorte


Um perfil escrito por Antônio Maria para celebrar o dia dos 110 anos de Aracy de Almeida

19 de agosto: o dia que seria o dos 110 anos de Aracy de Almeida. E Aracy é uma paixão: as canções, o jeitão, as tiradas, as histórias. Esse...