quinta-feira, 18 de junho de 2020

Facebook censura foto de Bethânia com camiseta do Haddad



Dos absurdos do Facebook. Há uma hora, escrevi um post lá pra comemorar os 74 anos de Maria Bethânia. E escolhi a foto dela (acima) com a camiseta do Haddad, que circulou na véspera das eleições e havia postado em 7 de setembro de 2019. Praticamente na hora tascaram um selo "informação falsa. Checado por verificadores de fatos independentes".
E por quê? "Falso: Carta a Lula que circula nas redes não foi escrita pela cantora Maria Bethânia".

Detalhe: no meu post não havia a palavra "carta" e nem "Lula". Abaixo o que escrevi:

"Outra foto (agora bem recente e importantíssima) pra comemorar os 74 anos de Maria Bethânia.
Péricles Cavalcanti, ontem em live com Adriana Calcanhotto, falava sobre a eleição do asno e disse mais ou menos assim: "Tem uma coisa que era um sinal. Quando a Maria Bethânia aparece com a camiseta do Haddad. Ela que não se manifesta nunca"
Ah, e a conversa movida à música do Péricles com Adriana é saborosa e está lá no instagram dele"

E aqui, o status do meu post homenagem lá


quarta-feira, 17 de junho de 2020

Nas pegadas de "Amendoim Torradinho"

Sylvia Telles no ano em que lançou Amendoim Torradinho

Com uma tocante interpretação da deputada Benedita da Silva, Amendoim Torradinho voltou dia desses. De surpresa, ela a cantou pro amado Antonio Pitanga, no aniversário de 80 anos dele na live da Teresa Cristina. Hoje vi um vídeo de Caetano Veloso falando da canção e sobre de quem a teria lançado e fui atrás.


Henrique Beltrão
O samba canção é de autoria de Henrique Beltrão, cantor, violonista e homem do rádio, que não chegou a vê-la consagrada. Filho do jornalista Heitor Beltrão e irmão do futuro ministro Helio Beltrão, ele morreu em 1949, no dia em que completava 34 anos. Amendoim Torradinho começou a chegar ao público seis anos depois, em 1955, número musical de Gente Bem e Champanhota, revista de Colé, no Teatro Follies, em Copacabana, Rio de Janeiro. Quem cantava era Sylvia Telles, 20 anos, acompanhada pelo violão de Canhoto, noivo dela então. A partir daí, Sylvia virou revelação e no mesmo ano estreou em disco com Amendoim Torradinho e Desejo, tema do filme Chico Viola Não Morreu.

Revista do Rádio, 1955
"Musiquinha tão quente quanto a semente, foi para Sylvinha Telles uma espécie de foguete que a lançou da atmosfera do teatro de revista para junto das estrelas do rádio": de um perfil de Sylvia Telles na revista O Cruzeiro, em 1962, quando ela era uma das principais cantoras da bossa nova.

No mesmo ano em que foi lançada por Sylvia Telles, Amendoim Torradinho teve interpretações de Luiz Eça, Vera Lucia e Ivon Curi. Depois viriam muitas gravações.
O samba canção fez tanto sucesso que acabou batizando um corte de cabelo, também chamado popularmente de taradinha. Ao lado, Angela Maria, que a gravou em 1958, com cabelo "amendoim torradinho"

Benedita da Silva e Amendoim Torradinho na live da Teresa Cristina



Sylvia Telles canta Amendoim Torradinho, 1955

Ivon Curi canta Amendoim Torradinho, 1955



sábado, 30 de maio de 2020

E lá se vai o mestre Evaldo Gouveia




Evaldo Gouveia é nome mítico pra mim e associado a Jair Amorim, como ocorre com as parcerias clássicas. E sempre com alto teor dor de cotovelo de sambas canção e boleros, como Sentimental Demais, Que Queres Tu de Mim, Somos Iguais, O Trovador, Brigas e tantas outras que conheci na voz de Altemar Dutra (falecido em 1983). Nos anos 70, Ângela Maria fez muito sucesso com Tango Pra Teresa e acho que foi aí que "conheci" a grande dama da canção. Nos anos 90, Somos Iguais foi regravado por Maria Bethânia e Alguém Me Disse, do repertório de  Dircinha Batista e Dick Farney, por Gal Costa.

Evaldo tinha 90 anos e morreu ontem, em Fortaleza em decorrência da Covid-19, leio na matéria do G1. Como costumo fazer, parti para uma busca com o nome dele. E a primeira referência era de 1953, quando tocava violão no Trio Nagô, conjunto vocal formado por três cearenses, que fez sucesso no começo dos anos 50, se apresentou em Paris e tal e durou 12 anos.


A história do Trio Nagô "começa quando Evaldo, um rapaz de vinte anos, que vivia de cantar (era astro desde os 15 anos, da Ceará Rádio Clube), subiu as escadas do velho sobrado da rua Floriano Peixoto, em cujos altos, de janela para a Praça do Ferreira, funcionava a alfaiataria de Mario Alves", conta a reportagem de Thiago de Mello, na revista Manchete em 1956.

O Trio Nagô em 1956

O Trio Nagô com Ângela Maria em 1955

Bom, o Trio Nagô, que quero conhecer melhor, vai aqui pra ilustrar os primeiros passos artísticos de Evaldo Gouveia. Ele nasceu em Orós, Ceará, em 8 de agosto de 1930 e ainda quando bebê a família se mudou para Iguatu. Começou a compor em 1957. Deixa que ela se vá, parceria com Gilberto Ferraz foi sucesso com Nelson Gonçalves. Com Jair Amorim (falecido em 1993), ele compôs mais de 300 canções. Nos anos 70, a dupla foi homenageada em especial da Globo, lançado em disco pela Som Livre.



Depois da fase bolero e samba canção, no fim dos anos 60 a dupla se voltou pro samba no fim dos anos 60 - O Conde (1969), gravada por Jair Rodrigues é dessa época. No ano seguinte, uma valsa: Minha Canção Para Você. A dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia assina dois sambas enredo para a Portela: O Mundo Melhor de Pixinguinha (parceria deles com Velha, em 194) e Mulher à Brasileira (1978).

E aqui, Evaldo Gouveia canta, primeiro com o Trio Nagô






quinta-feira, 30 de abril de 2020

Em pleno anos dourados, personalidades e moda

Final de abril de 1961. Anos dourados, o Brasil parecia que ia dar certo e havia uma euforia. Brasília completava o primeiro ano e o estado da Guanabara também. A revista Manchete publicou um longo (24 páginas) publi editorial de moda bancado pela Rhodia, reunindo os destaques para a moda inverno 1961. "As personalidades que mais atraíram a atenção feminina este ano, nos diversos setores de vida em que se destacaram".

Onze personalidades aparecem em bem produzidas fotos de página inteiras acompanhados pelas manequins. Aqui vão cinco deles, as personalidades da Música Popular, da Poesia, da Arquitetura e da Literatura e da Alta Costura, o jovem Dener que aparece rodeado de modelos na propaganda página dupla da Rhodia.

Ao final, a lista de todas as personalidades e a moda da Manchete 1961.







Personalidades e Moda Manchete 1961
Crônica social (Jacinto de Thormes)
Cinema (Alberto Ruschel)
Pintura (Manabu Mabe)
Teatro (Abilio Pereira de Almeida)
Musica popular (Antonio Carlos Jobim)
Alta Costura (Dener)
Poesia (Vinicius de Moraes)
Arquitetura (Oscar Niemeyer)
Humorismo (Vão Gogo - Millôr Fernandes)
Literatura (Jorge Amado)
Esporte (Eder Jofre)

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O charme das flores nas capas dos discos

Arte by B.

Trago uma seleção de flores em capas de discos. E só quando elas, as flores, são as estrelas absolutas e não quando enfeitam os artistas - tem exceções, conto daqui a pouco. 

De Maysa e Elizeth Cardoso a Elis Regina e Zélia Duncan: fui atrás de capas floridas. Tem homens também: Waldick Soriano, Nando Reis... E abre com o único compacto da seleção: o de Maria Bethânia que se dá ao requinte de pétalas da rosa branca recortadas no topo da capa (eram outros tempos).

E não só de artistas brasileiros. Tem Stevie Wonder, Neil Young, Etta James, Tindesticks, Depeche Mode e, claro, New Order, que talvez seja a mais bela das capas com flores

Sabe aquela regra de flores de estrelas absolutas? Então, lá no fim quebro pra exibir cinco belezas: Legião Urbana (porque queria uma capa da banda adorada aqui), Caetano Veloso (porque é capa linda e, além do girassol, olho e boca dele), Paulinho da Viola (porque é capa belíssima e desenhada com ele e flores), Elizeth Cardoso (ela de novo, porque esta capa é de uma singeleza tocante) e pra encerrar, Rolling Stones (porque o título do disco é Flowers).

Faltou "aquela" capa com flores? Conta pra mim e acrescento no final.

                                                      NACIONAIS

Compacto duplo (1974): Molambo, Preconceito, Fósforo Queinado,
Com Acúcar, Com Afeto. Foto: Rita de Cássia Trindade

O primeiro de Maysa (1957). Capa: Dirceu Côrte Real

Elis - Essa Mulher (1979)
Capa: Mello Menezes

Elizeth Cardoso - Ary Amoroso (1991)


Rosa de Ouro Vol. 1 (1965)


Zélia Duncan - Tudo Esclarecido (2012).
Capa e dir de arte Simone Mina

Rosa Passos - Azul (2002)

Waldick Soriano - Flores Perfumadas Para Alguém  (1966)

Duca Leindecker - Baixar Armas (2018)
Nando Reis - Jardim Pomar (2016).
Pintura: Vânia Mignone

Zimbo Trio - Gatota de Ipanema (1987)
                                                       
                                                            INTERNACIONAIS


New Order - Power, Corruption & Lies (1983)

Depeche Mode - Violator (1990)

Pet Shop Boys - Release (2002).
Capa: Pennie Smith

Neil Young - Are You Passionate (2002)
Direção de Arte e Design: Gary Burden e Jenice Heo
Etta James - Mystery Lady (1994)

Etta James - Blue Gardenia (2001)

Cindy Lauper - Bring Ya To The Brink (2008)
Deniece Williams - Love Songs (2000) - coletânea

Whiskeytown - Stranger Almanac (1997)

Stevie Wonder - The Secret Life of The Plants (1979
Ilustração: Margo Nahas Direção de Arte: John Cabalka

Tindersticks - Curtains (1997)

Todd Rundgren - Something/Anything (1972)

Morphine- Good (1992) Design: Eric Pfeiffer
Lucinda Williams - Essence (2001)
Foto e design: Alan Messer


                                          PARTICIPAÇÕES AFETUOSAS
Legião Urbana - O Descobrimento do Brasil (1995)
Proj. Gráfico Fernanda Villa-Lobos e Barrão

Circuladô (1991)
Capa: Caetano Veloso; fotos de Lívio Campos; realização de
Arthur Fróes; Arte: Vanessa Stepanenko

Elizeth Cardoso (1976) - Capa Mello Menezes

Nervos de Aço (1973)
Capa: Elifas Andreato

Flowers (1967), segunda coletânea dos Stones

domingo, 19 de abril de 2020

Pra Lygia que hoje completa 97 anos

Hilda e Lygia em 1960

Lygia e Clarice: 1975
Hoje é o dia dos 97 anos de Lygia Fagundes Telles. E eu adoro Lygia. Fico pensando nela e em algumas amigas, como Clarice Lispector, que faria 100 neste ano, e numa viagem que elas fizeram juntas a um congresso de bruxaria na Colômbia. Penso em outra amiga dela falecida, Hilda Hilst e lembro de uma foto das duas, jovens e lindas.E Hilda faria 90 anos daqui a dois dias, veja só. E aí me vem Tonia Carrero (os 92 que ela faria foram em 3 de março) e histórias das duas nos anos 80, quando frequentavam o Pirandello, restaurante da Augusta. Nunca as vi lá, sei por ouvi contar e sei que jamais passavam despercebidas. E daí me vem Caio Fernando Abreu que faria 72 no próximo outubro e a adorava. "Lygia Fagundes Telles: puro bege", ele escreveu em uma crônica onde relacionava pessoas e cores. 

Penso em Lygia e vem tanta coisa, vem um mundão que ela retratou em livros maravilhosos. Lá pelos anos 1990, mais pro fim deles, encontrei Lygia Fagundes Telles algumas vezes pelas ruas de SP. Houve uma inesquecível: Um sábado à tarde, na Oscar Freire quase esquina Consolação. Quando a avistei, estava na metade do quarteirão, caminhava devagar, linda como sempre e com uma sacola de livraria na mão. Já seria uma aparição, mas teve mais. De repente, passou por ela um vendedor de balões, com dezenas deles ao vento. Lygia se voltou e se deteve alguns minutos para observar os balões coloridos. Eu atravessei a rua e fiquei só olhando a cena, depois a segui um pouquinho até ela atravessar o portão de seu prédio. Como disse Caio F., Lygia é puro bege.

Um perfil escrito por Antônio Maria para celebrar o dia dos 110 anos de Aracy de Almeida

19 de agosto: o dia que seria o dos 110 anos de Aracy de Almeida. E Aracy é uma paixão: as canções, o jeitão, as tiradas, as histórias. Esse...