Dos absurdos do Facebook. Há uma hora, escrevi um post lá pra
comemorar os 74 anos de Maria Bethânia. E escolhi a foto dela (acima) com a camiseta do
Haddad, que circulou na véspera das eleições e havia postado em 7 de setembro
de 2019. Praticamente na hora tascaram um selo "informação falsa. Checado
por verificadores de fatos independentes".
E por quê? "Falso: Carta a Lula que circula nas
redes não foi escrita pela cantora Maria Bethânia".
Detalhe: no meu post não havia a palavra
"carta" e nem "Lula". Abaixo o que escrevi:
"Outra foto (agora bem recente e importantíssima) pra
comemorar os 74 anos de Maria Bethânia.
Péricles
Cavalcanti, ontem em live com Adriana Calcanhotto, falava sobre a eleição do
asno e disse mais ou menos assim: "Tem uma coisa que era um sinal. Quando
a Maria Bethânia aparece com a camiseta do Haddad. Ela que não se manifesta
nunca"
Ah, e a conversa movida à música do Péricles com Adriana é saborosa e está lá
no instagram dele"
Sylvia Telles no ano em que lançou Amendoim Torradinho
Com uma tocante interpretação
da deputada Benedita da Silva,Amendoim Torradinho voltou dia desses. De
surpresa, ela a cantou pro amado Antonio Pitanga, no aniversário de 80 anos dele
na live da Teresa Cristina. Hoje vi um vídeo de Caetano Veloso falando da
canção e sobre de quem a teria lançado e fui atrás.
Henrique Beltrão
O samba canção é de autoria
de Henrique Beltrão, cantor, violonista e homem do rádio, que não chegou a
vê-la consagrada. Filho do jornalista Heitor Beltrão e irmão do futuro ministro
Helio Beltrão, ele morreu em 1949, no dia em que completava 34 anos. Amendoim
Torradinho começou a chegar ao público seis anos depois, em 1955, número musical
de Gente Bem e Champanhota, revista de Colé, no Teatro Follies, em Copacabana,
Rio de Janeiro. Quem cantava era Sylvia Telles, 20 anos, acompanhada pelo
violão de Canhoto, noivo dela então. A partir daí, Sylvia virou revelação e no mesmo ano estreou em disco com Amendoim Torradinho e
Desejo, tema do filme Chico Viola Não Morreu.
Revista do Rádio, 1955
"Musiquinha tão quente
quanto a semente, foi para Sylvinha Telles uma espécie de foguete que a lançou
da atmosfera do teatro de revista para junto das estrelas do rádio": de um
perfil de Sylvia Telles na revista O Cruzeiro, em 1962, quando ela era uma das
principais cantoras da bossa nova.
No mesmo ano em que foi lançada por Sylvia Telles, Amendoim Torradinho teve interpretações de Luiz Eça,
Vera Lucia e Ivon Curi. Depois viriam muitas gravações.
O samba canção fez
tanto sucesso que acabou batizando um corte de cabelo, também chamado
popularmente de taradinha. Ao lado, Angela Maria, que a gravou em 1958, com cabelo "amendoim torradinho"
Benedita da Silva e Amendoim Torradinho na live da Teresa Cristina
Evaldo Gouveia é nome mítico
pra mim e associado a Jair Amorim, como ocorre com as parcerias clássicas. E sempre com alto teor dor de cotovelo de sambas
canção e boleros, como Sentimental Demais, Que Queres Tu de Mim, Somos Iguais, O
Trovador, Brigas e tantas outras que conheci na voz de Altemar Dutra (falecido em 1983). Nos anos
70, Ângela Maria fez muito sucesso com Tango Pra Teresa e acho que foi aí que "conheci" a grande dama da canção. Nos anos 90, Somos
Iguais foi regravado por Maria Bethânia e Alguém Me Disse, do repertório de Dircinha Batista e Dick Farney, por Gal Costa.
Evaldo tinha 90 anos e morreu ontem, em Fortaleza em decorrência da Covid-19, leio na matéria do G1. Como costumo fazer, parti para uma busca com o nome dele. E a primeira
referência era de 1953, quando tocava violão no Trio Nagô, conjunto vocal formado
por três cearenses, que fez sucesso no começo dos anos 50, se apresentou em
Paris e tal e durou 12 anos.
A história do Trio
Nagô "começa quando Evaldo, um rapaz de vinte anos, que vivia
de cantar (era astro desde os 15 anos, da Ceará Rádio Clube), subiu as escadas
do velho sobrado da rua Floriano Peixoto, em cujos altos, de janela para a
Praça do Ferreira, funcionava a alfaiataria de Mario Alves", conta a reportagem
de Thiago de Mello, na revista Manchete em 1956.
O Trio Nagô em 1956
O Trio Nagô com Ângela Maria em 1955
Bom, o Trio Nagô, que quero
conhecer melhor, vai aqui pra ilustrar os primeiros passos artísticos de Evaldo
Gouveia. Ele nasceu em Orós, Ceará, em 8 de agosto de 1930 e ainda quando bebê a
família se mudou para Iguatu. Começou a compor em 1957. Deixa que ela se vá,
parceria com Gilberto Ferraz foi sucesso com Nelson Gonçalves. Com Jair Amorim (falecido em 1993),
ele compôs mais de 300 canções. Nos anos 70, a dupla foi homenageada em
especial da Globo, lançado em disco pela Som Livre.
Depois da fase bolero e
samba canção, no fim dos anos 60 a dupla se voltou pro samba no fim dos anos 60
- O Conde (1969), gravada por Jair Rodrigues é dessa época. No ano seguinte,
uma valsa: Minha Canção Para Você. A dupla Jair Amorim e Evaldo
Gouveia assina dois sambas enredo para a Portela: O Mundo Melhor de Pixinguinha
(parceria deles com Velha, em 194) e Mulher à Brasileira (1978).
E aqui, Evaldo Gouveia canta, primeiro com o Trio Nagô
Final de abril de 1961.
Anos dourados, o Brasil parecia que ia dar certo e havia uma euforia. Brasília
completava o primeiro ano e o estado da Guanabara também. A revista Manchete
publicou um longo (24 páginas) publi editorial de moda bancado pela Rhodia, reunindo
os destaques para a moda inverno 1961. "As personalidades que mais
atraíram a atenção feminina este ano, nos diversos setores de vida em que se
destacaram".
Onze personalidades aparecem
em bem produzidas fotos de página inteiras acompanhados pelas manequins. Aqui
vão cinco deles, as personalidades da Música Popular, da Poesia, da Arquitetura
e da Literatura e da Alta Costura, o jovem Dener que aparece rodeado de modelos
na propaganda página dupla da Rhodia.
Ao final, a lista de todas
as personalidades e a moda da Manchete 1961.
Personalidades e Moda Manchete 1961 Crônica social (Jacinto de
Thormes)
Trago uma seleção de flores em capas de discos. E só
quando elas, as flores, são as estrelas absolutas e não quando enfeitam os
artistas - tem exceções, conto daqui a pouco.
De Maysa e Elizeth Cardoso a Elis Regina e Zélia Duncan:
fui atrás de capas floridas. Tem homens também: Waldick Soriano, Nando Reis... E abre com o único compacto da seleção: o de Maria Bethânia que se dá ao requinte de pétalas da rosa branca recortadas no topo da capa (eram outros tempos).
E não só de artistas brasileiros. Tem Stevie
Wonder, Neil Young, Etta James, Tindesticks, Depeche Mode e, claro, New Order, que talvez
seja a mais bela das capas com flores
Sabe aquela regra de flores de estrelas absolutas? Então,
lá no fim quebro pra exibir cinco belezas: Legião Urbana (porque queria uma
capa da banda adorada aqui), Caetano Veloso (porque é capa linda e, além do
girassol, olho e boca dele), Paulinho da Viola (porque é capa belíssima e
desenhada com ele e flores), Elizeth Cardoso (ela de novo, porque esta capa é
de uma singeleza tocante) e pra encerrar, Rolling Stones (porque o título do
disco é Flowers).
Faltou "aquela" capa com flores? Conta pra mim
e acrescento no final.
NACIONAIS
Compacto duplo (1974): Molambo, Preconceito, Fósforo Queinado,
Com Acúcar, Com Afeto. Foto: Rita de Cássia Trindade
O primeiro de Maysa (1957). Capa: Dirceu Côrte Real
Elis - Essa Mulher (1979)
Capa: Mello Menezes
Elizeth Cardoso - Ary Amoroso (1991)
Rosa de Ouro Vol. 1 (1965)
Zélia Duncan - Tudo Esclarecido (2012).
Capa e dir de arte Simone Mina
Rosa Passos - Azul (2002)
Waldick Soriano - Flores Perfumadas Para Alguém (1966)
Duca Leindecker - Baixar Armas (2018)
Nando Reis - Jardim Pomar (2016).
Pintura: Vânia Mignone
Zimbo Trio - Gatota de Ipanema (1987)
INTERNACIONAIS
New Order - Power, Corruption & Lies (1983)
Depeche Mode - Violator (1990)
Pet Shop Boys - Release (2002).
Capa: Pennie Smith
Neil Young - Are You Passionate (2002)
Direção de Arte e Design: Gary Burden e Jenice Heo
Etta James - Mystery Lady (1994)
Etta James - Blue Gardenia (2001)
Cindy Lauper - Bring Ya To The Brink (2008)
Deniece Williams - Love Songs (2000) - coletânea
Whiskeytown - Stranger Almanac (1997)
Stevie Wonder - The Secret Life of The Plants (1979
Ilustração: Margo Nahas Direção de Arte: John Cabalka
Tindersticks - Curtains (1997)
Todd Rundgren - Something/Anything (1972)
Morphine- Good (1992) Design: Eric Pfeiffer
Lucinda Williams - Essence (2001)
Foto e design: Alan Messer
PARTICIPAÇÕES AFETUOSAS
Legião Urbana - O Descobrimento do Brasil (1995)
Proj. Gráfico Fernanda Villa-Lobos e Barrão
Circuladô (1991)
Capa: Caetano Veloso; fotos de Lívio Campos; realização de
Arthur Fróes; Arte: Vanessa Stepanenko
Hoje é o dia dos 97 anos de Lygia Fagundes Telles. E eu
adoro Lygia. Fico pensando nela e em algumas amigas, como Clarice Lispector,
que faria 100 neste ano, e numa viagem que elas fizeram juntas a um congresso de
bruxaria na Colômbia. Penso em outra amiga dela falecida, Hilda Hilst e lembro
de uma foto das duas, jovens e lindas.E Hilda faria 90 anos daqui a dois dias,
veja só. E aí me vem Tonia Carrero (os 92 que ela faria foram em 3 de março) e
histórias das duas nos anos 80, quando frequentavam o Pirandello, restaurante
da Augusta. Nunca as vi lá, sei por ouvi contar e sei que jamais passavam
despercebidas. E daí me vem Caio Fernando Abreu que faria 72 no próximo outubro
e a adorava. "Lygia Fagundes Telles: puro
bege", ele escreveu em uma crônica onde relacionava pessoas
e cores. Penso em Lygia e vem tanta coisa, vem um mundão que ela retratou em livros
maravilhosos. Lá pelos anos 1990, mais pro fim deles, encontrei Lygia
Fagundes Telles algumas vezes pelas ruas de SP. Houve uma inesquecível: Um
sábado à tarde, na Oscar Freire quase esquina Consolação. Quando a avistei,
estava na metade do quarteirão, caminhava devagar, linda como sempre e com uma
sacola de livraria na mão. Já seria uma aparição, mas teve mais. De repente,
passou por ela um vendedor de balões, com dezenas deles ao vento. Lygia se
voltou e se deteve alguns minutos para observar os balões coloridos. Eu
atravessei a rua e fiquei só olhando a cena, depois a segui um pouquinho até ela
atravessar o portão de seu prédio. Como disse Caio F., Lygia é puro bege.