segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

VOCAÇÃO DE TERRORISTA

Num livro de poemas, tão lindo quanto doloroso, Lya Luft cita uma frase de Hélio Pelegrino, o amado que acabara de morrer: “Tenho vocação é de terrorista”, dizia ele. Foi identificação imediata. Volta e meia minha “vocação de terrorista” explode – e nas mais variadas situações. No cinema, por exemplo, durante aquele comercial do governo pedindo para não dar esmolas. Bastam as primeiras imagens e me vem ganas de empunhar um fuzil e metralhar a tela. Como sou civilizado, fecho os olhos e tampo os ouvidos com os dedos para evitar meus ímpetos. Dou esmola sim, quando e como quero e não admito que ninguém, muito menos o governo, venha impor regras, ora bolas. Hoje de manhã, a caminho pro trabalho, um homem lá pelos 30 anos e com cara de faminto me pediu uma moeda. Tinha no bolso duas daquelas belíssimas, douradas, de um real e entreguei pra ele. Trocamos poucas palavras e o olhar agradecido do cara me comoveu e ainda me acompanha. Bobagens, meu filho, bobagens. Tá, mas gosto a cada dia mais dessas “bobagens”.

Outra coisa que me deixa possesso são as famosas filas duplas. Pra evitar exterminar os culpados, uso um estratagema simplinho: gritar palavras nada amenas. Se a motorista for uma mulher muito chique e senhora de si, não resisto a berrar “feia” ou “gorda” – tanto faz que ela seja belíssima e magérrima. O efeito é quase o de uma bala.

Shoppings costumam me provocar alergia. Mais de vinte minutos dentro de um deles e saio correndo, desesperado, em busca de ar. Já que não posso explodí-los, simplesmente evito – mesmo os cinemas localizados neles. E quanto mais chique e descolado o shopping, pior. O Iguatemi, por exemplo, faz no mínimo uns oito anos que não vê minhas pegadas. Claro que não fico imune ao consumo, mas gosto de lojas de rua, de sair de uma e entrar na outra, de descer a Augusta, por exemplo. Tenho vocação de terrorista sim e também mudo de opinião, de idéia, com uma facilidade incrível. Graças a deus.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E se eu não me chamasse


Não gosto do meu nome e não vao segredo algum aí. Mas aprendi a conviver com ele. Se outro nome tivesse, queria que fosse Vitor, até porque era assim que me chamaria não fosse um avô mais grosso que dedo destroncado que pôs empecilhos. E se Vitor não fosse? Bem que Paulo poderia ser. Antigo sim e de homens bacanas: José, Gracindo, Goulart, Autran, Betti. Todos eles me passam algo de tranquilidade, aquela sabedoria que tem a ver com a passagem dos anos. Seria lindo me chamar Paulo. Mas nessa vida - e não creio em outras pero... - tá bom Vilmar.

domingo, 8 de abril de 2007

Brinquedinho Novo

Excitação, sabor de novidade: Nada como um brinquedinho novo. Tá, abri o blog e agora, escrever o quê? Eu, editor de mim. É tanta a liberdade que decido prolongar a história e inaugurar com este post rápido, meio que um tratado sobre o nada, suas causas e conseqüências. Fica mais divertido assim.

Clarice Lispector: Meu Natal

Clarice Lispector com o marido e filhos no Natal de 1956, EUA. Do livro Fotobiografia Esta crônica natalina encerra a coluna de C...