segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Caminhos do Sul


Pra encerrar o ano um retorno à cidade onde nasci cai como luva. Toda vez que volto pra São Gabriel, que adoro chamar Sangaba, me vem à mente Peggy Sue, o filme do Coppola. Faço longas caminhadas por ruas que me conhecem como ninguém, repletas de lembranças. E muitas vezes ao dobrar uma esquina ou lançar um olhar mais atento sobre alguma casa antiga recebo a visita de velhos fantasmas. E é como se eles me abençoassem, como se também gostassem do reencontro. Falo alto com eles, rio com eles e sigo em frente, certo de que outros surgirão ao dobrar a próxima esquina.

E aí na foto tá a velha estação ferroviária, pertinho da casa da minha mãe. Adoro o prédio e é como se fosse o quartel general dos meus fantasminhas camaradas.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Imperfeitinhas perfeitas

Se voz fosse quesito, Jessé seria o ídolo dos ídolos. É uma das minhas máximas essa frase, que me desculpe o cara que até morreu, mas ele pra mim é sinônimo de vozeirão. Amo música e vozes, nem sempre aquelas perfeitas. Claro que sobra lugar para elas que não sou tão maluco assim, mas são as imperfeitinhas que me pegam fácil fácil. Quem por exemplo? Beto Guedes vem logo à cabeça e até porque acabei de ouvir a maravilha Amor de Índio, que ninguém canta como ele. Seu companheiro de Clube da Esquina, Lô Borges também não é nenhum Milton Nascimento. Nem Chico Buarque, mas gosto de ouvir Chico na voz de Chico – A voz do dono e o dono da voz. Marina Lima quase perdeu a voz e nunca seus encantos. E tem aquelas emissões sutis tão bem representadas pelo trio Nara Leão, Rita Lee e Fernanda Takai. Quem mais? Ah, são tantos, mas com os citados aqui já ta bom.

sábado, 22 de novembro de 2008

Pêlos e miados


Bem no comecinho do século, eu assinava a coluna Pipoca na revista Simples! O texto abaixo é adaptação de um publicado no número 2. E esse, claro, vai pra Ava, aquele monte de pêlos que eu amo.

De temperamento reservado, gatos são raros no cinema e faziam companhia à mocinhas destemidas. Mas as coisas mudaram e há tempos galãs também podem ter um pra chamar de seu, vide Richard Gere em Noiva em Fuga. E quem pensa que felinos não são chegados à aventuras precisa conferí-los em enrascadas à la Indiana Jones em As Aventuras de Chatran.


Um aviso para quem gosta de gatos, mas gosta mesmo: fique longe de Vida Sem Destino (Gummo), onde adolescentes se dedicam a exterminá-los. Quase o oposto da encantadora fábula tcheca Um Dia, Um Gato sobre um gatinho mágico que dá cor às pessoas ao seu redor de acordo com os sentimentos delas. Os desonestos, por exemplo, ficam cinza e os apaixonados, vermelhos.

O drama de onde deixar seu animalzinho nas férias aparece quando a garota parisiense de O Gato Sumiu volta pra casa e não encontra Grisgris que, apesar do nome é todo preto. E como nem só de beleza vive o mundo dos felinos, a gata da jovem Angelina Jolie no delicioso Corações Apaixonados faz o tipo assustadora.

Agora, clássico mesmo é o bichano que divide apartamento com Audrey Hepburn no cult Bonequinha de Luxo. Todo malhado de amarelo, chama-se simplesmente Gato e termina o filme espremido entre o casal apaixonado durante um daqueles beijos que só podem ser seguidos por um The End.

Pra nunca mais esquecer


sábado, 15 de novembro de 2008

O que é que é

Tudo que move. Um labirinto. Como a flor na primavera. Alegria, transformação. Uma coisa que quase sempre de um jeito ou de outro sempre acaba mal. Cego. Vem de nós e demora. Fluído como o vento, como o ar. Mais frio que a morte. O ridículo da vida. Flor roxa que nasce no coração dos troxa. Tudo que move. E tudo que move é sagrado.

Sob o signo da lua cheia

Volta e meia ela faz aparições marcantes, sempre na madrugada, quando os sentimentos calam mais forte, o silêncio domina tudo e o coração voa longe feito pássaro solitário. Agorinha mesmo, segunda hora do sábado, resolveu me surpreender. Pela janela vinha um ventinho frio e saí do sofá pra fechá-la. E não é que lá estava a bela, inteira, enigmática, majestosa, quase sorridente, como se a me espreitar estivesse. Ah, sua danada, esses vôos rasantes diante da minha janela têm sabor de acontecimento. Daqui a pouco... 3:15. "Eres como la noche, callada y constelada. Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo"

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A banda do coração

Adoro uma música do Lou Reed que se chama A Perfect Day. E ontem foi dia de A Perfect Show, o do R.E.M., claro. Que é minha banda do coração qualquer um com quem tenha falado mais de cinco minutos sabe. Michael Stipe and friends ao vivo e de pertinho era um sonho – e é meio perigoso quando um se realiza. Não foi o caso. Ali tem tesão por tocar, tem respeito, tem história. Todo mundo fala na forma física da Madonna, pois queria vê-la no lugar do Michael Stipe por 30 minutos. Sempre ficava em dúvida sobre qual a minha preferida, isso agora acabou: Loosing My Religion, que pra mim é Perdendo meu cabaço, é imbatível. É lindo vê-los tocar as antigas com garra de primeira vez. Duas surpresas: Nightswimming (a da foto, que Michael cantou encostado no piano) e I´ve Been High, a segunda do disco Reveal. Abaixo, trecho dessa pra The One I Love.

What i want
What I really want is
Just to live my life on high
And I know
I know you want the same
I can see it in your eyes.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Falam por si

O Coração é um Caçador Solitário
Cem Anos de Solidão
Suave é a Noite
As Noites do Morro do Encanto
O Céu que nos Protege

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Eiiii


Bom dia, Vietnã
patinho amarelo, Robert
Espanha, Biloxi
Navio, avião
Chico, Noel
Joana francesa
Sanz, Neruda
Los mejores corazones son los rojos
Te pareces a mi alma,
Mariposa de sueño

domingo, 12 de outubro de 2008

Vetusta Morla

Faz um tempão que ando in love pelo pop espanhol (Julieta Venegas, Jorge Drexler, Miguel Bosé, Joaquin Sabina... Pois ontem à noite "descobri" Vetusta Morla e minha vida nunca mais foi a mesma. Não é demais esse nome? A banda espanhola me veio ao zapear na madrugada. Fui direto ao santo you tube, google e em poucos minutos estava escolado nos guris de Madri. Fiquei sabendo que o Vetusta existe há oito anos e só no começo deste lançou o primeiro CD. Com a quase morte das gravadoras assim são as coisas no rock/pop do século 21. O som do Vetusta não traz lá grandes novidades, mas ali tem vitalidade, guitarras precisas, letras incríveis e Pucho, o vocalista é demais. Ouça Sálvese quien Pueda, Un Dia en El Mundo (que dá nome ao disco), Autocritica, Copenhague e resista se for capaz. É só procurar por Vetusta Morla no you tube, my space e essas e outras delícias surgem na hora. Pra facilitar, o vídeo de Salvese Quien Pueda está aí.


sábado, 11 de outubro de 2008

O aniversário de Almodóvar


Não tem pra ninguém: o blog mais legal do planeta é o do Pedro Almodóvar. Ali ele registra as filmagens (que já acabaram) de Los Abrazos Rotos, e também fala de livros, discos, encontros... Tudo de um jeito encantador, extremamente pessoal. São textos longos e variados, que ele posta mais ou menos a cada duas semanas e todo dia tô lá atrás de novidades. A foto acima é do blog e mostra o homi se despedindo de 2007.
No post mais recente, ele conta de seu aniverário e das felicitações inesperadas e originais que recebeu. Por exemplo, Meryl Streep, que ligou do celular de um amigo dele e cantou Feliz Natal em espanhol. Sim, ela cantou mesmo feliz natal e sem nenhum sotaque. “Que grande atriz e que encanto de pessoa”, ele escreveu. Penelope Cruz deixou uma mensagem e estava ao lado de Sofia Loren, que queria cumprimentá-lo também. “Penélope Cruz e Sofia Loren juntas! Não sou mitômano, mas quero vê-las e tirar uma foto com elas”. Grande cara, esse Pedro Almodóvar.
Não conhece o blog? www. pedroalmodovar.es

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ventos da destemperança

Quando a angústia se transforma em coisas que não se pode conter, é necessário buscar algum caminho, algum atalho para algo mais próximo da calmaria, que é para aguentar o próximo ataque dos ventos da destemperança, que às vezes costumam acabar a galope e seus golpes ficam mais próximos de algo semelhante a indestrutível. Temei a força dos ventos, principalmente aqueles que chegam com todas as alianças. É só parar para perceber que aquele vento não é só um, mas a junção de todas as forças que foram se reunindo desde que a destemperança começou a se instaurar.

Nem sei mais o que é que é




Mas o que é que é e de repente o não sei o que é que é me leva a não saber absolutamente nada do que a coisa mais feroz e mais terna já me levou a tentar entender que quando as coisas precisam ser elas têm de saber que nem sei mais o que é que me leva a saber que nunca a vida mais poderia saber o que eu não tenho a menor idéia e nem a mínima pretensão de decifrar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Viver Tudo

Ele tem sete anos e está no quarto da avó que agoniza. De repente, ela abre um sorriso imenso e pede que ele chame sua mãe. Na presença do neto e da filha, sempre com um sorriso imenso no rosto, ela dá o último suspiro. O menino sente a parede puxá-lo, sente um desamparo tão grande que nunca vai conseguir explicar.

No dia seguinte ao enterro, ele brinca sozinho em seu quarto quando a avó aparece e diz que está ali para levá-lo. Ela está toda vestida de branco e tem uma aparência tranqüila. Ele diz que ainda é cedo. Ela diz que sabe disso, mas que se ele viesse com ela se preservaria de uma verdadeira via-crucis. “Vó, eu quero viver tudo”.

Depois de beijá-lo ternamente e muito devagar nas duas faces, ela desapareceu. E ele voltou a brincar. Homem feito, nunca esquece desse encontro e sua avó não exagerou ao falar na via-crucis, mas ele continua querendo viver tudo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

ACREDITE: O LULA ME SALVOU


A vida só tem de previsível a sua imprevisibilidade. Sempre intuí isso, mas a ficha caiu mesmo diante da catarse Ratatouille –um dos meus mais profundos de todos os tempos, emprestado pelo filho pequeno de uma amiga querida. Cito aqui pra falar de uns dias complicados que vivi. Não interessa o porquê. Só interessa o desfecho, ou a proximidade dele.

Vivo dizendo que drama não existe e no fim tudo vira comédia. Tudo, absolutamente tudo. Pois no auge da minha tragédia burguesa, quando a segunda-feira de incertezas anoitecia, tocou o telefone. Quase caí pra trás quando quem falava se identificou... o Lula! Sim, o presidente em pessoa ligou para a minha casa, pra pedir o meu voto (que seja), mas ele ligou. E ouvindo aquela gravação a tristeza foi dando lugar a gargalhadas. Era a voz do Lula sim, mas pra mim, ali naquele momento, era Deus, era Zeus, era uma epifania.

Obrigado, Presidente. Seria exagero dizer que o senhor salvou minha vida – e olha que sou exagerado -, mas me fez ver a comédia dessa vida, que só tem de previsível a sua imprevisibilidade. Não lembro direito de suas palavras, mas não vou esquecer a ligação. E ligue quando quiser, viu.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O cocô segundo Vinicius e Bôscoli


Uma amiga vive dizendo que tenho fixação em cocô. Tenho? Sei lá, mas que é um assunto divertido não há como negar. Lendo o livro de memórias do Ronaldo Bôscoli (Eles e Eu), topei com essa história dele e Vinicius de Moraes. E olha que doido: enquanto escrevo ouço musica no aleatório e não é que começa a tocar Vinicius... credo! Saravá! Eis a história do Bôscoli:

"Como eu, Vinicius achava a maior graça em casos escatológicos, negócio de coco etc. Ríamos pra cacete. Chegamos à perfeição de passar noites catalogando os mais diferentes tipos de cocô. Cocô Rita Pavone, aquele que mancha a latrina toda de sardas. Cocô Canto de Osanha, vai-não-vai, vou-não-vou. Cocô Nossa Senhora, aquele que desce e sobe com o papel. Cocô Siri, que morde o rabo antes de descer. Cocô Mergulhador, que cai e molha a bunda. Cocô Cortiça, que não desce, fica boiando. Cocô Carrossel, que fica rodando a latrina inteira. Cocô Monograma etc"

sábado, 20 de setembro de 2008

Mariposa de sueño

Conheço um moço que voa. Não a todo momento, que ele não é passarinho, mas “volando voy, volando vengo” vive o belo. Morro de inveja de ele ficar mais perto das estrelas, mas disfarço bem. Dia desses, corroído por minhas limitações celestiais, lhe pedi para dar um oizinho à elas por mim. Sem demonstrar a nítida intimidade que deve ter com as ditas cujas, falou como se fosse um ato corriqueiro: “Eu vou pensar em você e pedir pra uma bem legal te visitar na janela”. E até marcou hora para a presença estrelar.

Não duvidei nem por um segundo e, na hora combinada, lá estava eu, no silêncio da madrugada, luzes apagadas e com um cigarro, à espera. Por entre os prédios, uma nesga generosa de céu azul e nuvens imaculadas num desfile ensandecido. “Você vai ver que tem uma que brilha mais. É pra você”, ele avisara. E assim foi. De repente, por baixo das nuvens que se deslocavam agitadas, apareceram duas, meio apagadas, e logo uma outra, que brilhava, brilhava, brilhava insistente.

Com os olhos umidecidos fixos no céu, me preparava para agradecer ao moço que voa por acelerar meu coração quando, por trás do prédio imenso e espelhado, desponta uma lua absurda, amarela... cheia! Além das estrelas, descobri, o danado também é íntimo da lua. E depois de tanta beleza, fui dormir felizinho da vida.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

As Princesinhas do décimo andar


Foram chegando de mansinho àquele apartamento pequeno e cheio de coisas. Verdes, todas verdes e das mais diferentes tonalidades. Todo dia, logo após acordar era para elas que ele lançava o primeiro e sonolento olhar elas pareciam felizes em vê-lo. Abria a janela e deixava que o ar da manhã as alimentasse. Sentindo-se cuidadas, reagiam felizes e exultavam no parapeito da janela. Pareciam dizer para quem as olhasse tão esbeltas: “Somos as princesinhas do décimo andar”.

Antes que ele saísse para trabalhar, eram retiradas do parapeito, uma por uma e chamadas pelo nome. Às vezes, quando ele acordava de bem com o mundo, até ganhavam beijinhos. Fu, a mais velha, preferia o abrigo das grossas listas telefônicas ocultas atrás de um móvel pequeno onde o aparelho de som reinava. Ela fazia vistas grossas às dezenas de fios por ali espalhados e desconfio que pensava que eram trepadeiras em preto e vermelho. Do, escolheu o cantinho do tapete, a poucos centimetros de Fu, regorgeava ao encontro da luz do sol. Sá, por um desses caprichos do destino, só ficava calminha quando instalada ao lado da jibóia, uma trepadeira gigante que insistia em se apoderar daquela saleta. E Li, a mais novinha, não teve dificuldades em encontrar seu recanto. Embora caçula, era a única com frutos em seu ventre. Orgulhosa da prole, insistia para ficar no meio das outras. As quatro formavam um belo triângulo naquele cantinho de sala ao lado da janela que as reconfortava com luz, muita luz.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Brincadeira com livros


Tem uma brincadeira que adoro: ir a estante, pegar livros ao acaso e ler apenas a primeira frase deles. O incrível é que, na maioria das vezes, faz sentido. Acabei de fazer a prova dos nove com cinco volumes. Eis o resultado:




Acordou, abriu os olhos. Mrs Dolloway disse que ela própria iria comprar as flores. Hoje, mamãe morreu ou talvez ontem, não sei bem. Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da central um rapaz aqui do bairro que eu conheço de vista e de chapéu. Era um momento estranho.

O texto acima junta os começos de O Céu Que Nos Protege (Paul Bowles), Mrs. Dolloway (Virginia Woolf), O Estrangeiro (Albert Camus), Dom Casmurro (Machado de Assis) e A Cidade e o Pilar (Gore Vidal). E foram escolhidos ao acaso, juro.

Sempre deixo de fora alguns livros, por saber de cor a primeira frase. Um dos meus começos preferidos é de Anna Karenina. Olha só como Tolstói começa: Todas as famílias felizes se parecem entre si, as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira. Não dá vontade de começar a ler o romance agora mesmo?


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De uma certa agenda





No ônibus, de manhã, a caminho do trabalho. Um turbilhão na cabeça. Só pensamentos bacanas; E loucos, completamente malucos. Algo conduz a outro algo mais doido e, assim, sucessivamente. Viver pode ser bem divetido.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Aniversário de DudaSP



Marisol é a versão lésbica e adulta da Monica dos quadrinhos. Mora em Bauru, tem 19 anos, o sotaque de lá, é gordinha, tímida, caminha encurvada e morre de medo que a família descubra sua “tendência”. O pai é conhecido na cidade e o irmão, professor de cursinho. Pra não levantar suspeitas, freqüenta a igreja.


Carente, gente boa, compensa as frustrações amorosas dedicando-se aos estudos. Saca tudo de biologia. A paranóia com suas “tendências” é tanta que vive com medo de tudo. Primeiro dia de aula, uma bichinha colega, senta ao seu lado e diz “você é do babado?”. Sai em disparada e rezando para que ninguém tenha ouvido semelhante absurdo. Mas com o tempo ficam amigos e ela sempre avisa “pega leve que meu irmão é professor conhecido, tem extensão no telefone daqui de casa” e outras paranóias assim.


Freqüenta os bate-papos da internet, conhece a sapataria toda e tem um fascínio especial por DudaSP, a rainha da turma. Depois de meses de papo, foi convidada, junto com as meninas do site, para os 26 anos da gostosa DudaSP. Sábado, numa boate de meninas, a Ypsis. Cheia de maus pensamentos, vem a São Paulo para conhecer as meninas e se hospeda num hotelzinho da Augusta. Com o coração aos saltos, antes das dez toma um táxi e ruma para a Ypsis.


A casa é linda, cheia de escadas, brilhos e está praticamente vazia. Ainda é cedo, mas quem disse que a inexperiente na noite Marisol sabe disso. Nada de DudaSP e, impaciente, decide explorar o piso superior. Mais ou menos na metade da escada iluminada, sente uma ferroada na perna direita. Em poucos segundos tropeça e rola degraus abaixo. Algumas gatas pingadas viram, mas nenhuma vem socorrê-la. Arrasada, decide se mandar. Antes da meia-noite já está no hotel e passa a noite chorando, enquanto ouve barulho de sexo por todo lado, que a Augusta ferve.

No dia seguinte, oito da manhã, já está no ônibus que vai levá-la de volta e chora durante toda viagem. À noite, entra na rede e todas comentam o aniversário, que tinha sido “do babado, uma coisa”. “Pq v. não apareceu?”, pergunta JôGuarulhos. Ainda aos prantos, Marisol soluça, mas seus dedos não hesitam em escrever: "Tinha outro compromisso”.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Rourke e Laurie




Neste fim de semana rencontrei duas criaturas que nos anos 80 me encheram de alegria: Mickey Rourke e Laurie Anderson. Ele estava em todos os jornais que anunciavam sua "ressurreição" no festival de Veneza. Laurie fez um show lindo no Sesc Pinheiros.
Rourke nas manchetes de novo? Talvez nem ele mesmo esperasse por isso. "É muito doloroso quando você não consegue mais fazer algo que conseguia e quem percebe isso não é você, mas outra pessoa que vem te dizer", disse o homem que pra mim é mito desde O Selvagem da Motocicleta, um dos trocentos filmes da minha vida. E jogou fora sua carreira há 15 anos atrás por sua culpa, ele reconhece. Ver seu rosto atual - deformado, como Chet Baker antes e depois da queda - não é das coisas mais agradáveis.
Já Laurie Anderson (na foto com o maridão Lou Reed) bem que poderia cantar "Time is on My Side". Símbolo da vanguarda novaiorquina nos tempos de Home of the Brave, ela segue inteiraça, cantando como então e sempre inquieta. Aquela voz marcante segue calando fundo.

Tempestade visual


Caleidoscópio. Rebelião de cores, formas, tons e sombras. A um simples toque de meus dedos, tudo muda e a tempestade visual impera. É uma visão nova, uma verdadeira e rápida transformação. Mistério, feito o de viver. Se eu o chamasse de caleidoscópio, você pensaria no objeto, mas se algum código entre nós existisse, este significado seria ampliado muitas vezes.


Tento fazer de minha vida um caleidoscópio, uma antena a captar sensações e não desperdiçar emoções. E este viver assim, atento a pequenos detalhes, me traz um quê de plenitude e de que há muito para ser feito e, o que é melhor, eu posso fazê-lo. Essa sensação me provoca arrepios - e arrepios que valham a pena. É sempre hora de despertar para as sensações.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Por Onde Andam Meus Pés






A idéia surgiu no escurinho do cinema, bom, quase no escurinho, que o filme ainda não tinha começado. Ah, e se eu começasse a fotografar meus pés? Sem pensar duas vezes fiz a primeira foto. E virou mania, logo vieram outras, outras, mais outras....

Telesflor Laperoz


Alguém que eu adoro tem um anão que tem nome e tudo e é muito lindo. Na verdade eu nem o conheço pessoalmente - o anão, não o alguém - só o vi pela câmera do computador uma vez, mas é lindo sim, como costumam ser os autênticos anões de jardim. E esse, vou chama-lo Robert, acompanha seu dono e senhor há uns bons anos, companheiro fiel. E anda precisando de uma pintura, disse-me o alguém. O tempo costuma ser implacável, inclusive com os anões de jardim.

E existe um anão que habita minhas memórias e volta e meia retorna, até em sonhos. Tem vezes que desaparece, depois ataca outa vez. E nos reencontramos faz pouco tempo, durante uma viagem à cidade onde nasci. Ele vive num belíssimo jardim de uma casa centenária e, só de sacanagem, vou chamá-lo Telesflor Laperoz, o nome de meus dois avós - isso é verdade. O centenário TF (melhor abreviar) é de uma simpatia assustadora e nos conhecemos desde a minha meninice. Adorei reencontrá-lo e de uma certa forma fazê-lo habitar também outro jardim. Qual? Bom, isso é melhor manter em segredo. Mas que ele tá lindo lá, tá sim.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu e o Buda Nagô


Faz quase um mês que Dorival Caymmi se foi. E sua mulher Stella, há poucos dias. Adorava Caymmi e tive a honra de entrevista-lo por telefone em 1994, pouco antes de ele completar 80 anos. O papo tinha tempo marcado - 20 minutos - mas a primeira coisa que ele perguntou foi quanto tempo eu precisava para uma boa entrevista. E nossa conversa rolou durante uns 40 minutos. Desliguei o telefone emocionado. Era perto do meio-dia, lembro bem.

Soube da morte de Caymmi no aeroporto de Porto Alegre, voltando para casa depois de uma visita à minha família que não via há anos. Era sábado, final da manhã de sábado e fiquei emocionado. Encontrei agora a matéria que escrevi para a revista Audio News. É uma das minhas preferidas, acabo de reler e vou copiar um trecho:

Dorival adora falar de família e dos amigos até bem mais que de música. Quando o assunto é música, adora contar histórias divertidas e elabora teorias engraçadíssimas, como esta: "Violão é um instrumento muito suspeito, sempre ligado à cachaça e mulher. Violão não é para a sala. É para ficar no quintal, na copa, no armário", diz rindo. Mas qual instrumento que pode ficar na sala, Dorival? "Só harpa e apenas para enfeitar, não para tocar", ri mais ainda. O primeiro violão, lemba, era do pai, que ele define como "músico caseiro" que também tocava bandolim. "Mas o primeiro de verdade mandei buscar no Rio, custou 18 mil réis na loja Guitarra de Prata".

E tem uma outra frase dele na entrevista que adoro: "o lado de botequim mais o lado família são duas das coisas fundamentais da vida"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Minha amiga chefe

Tenho uma amiga que é chefe. Grandes bostas, tenho trocentas amigas chefes, mas essa é novata na coisa, e depois de anos sendo chefiada. Ainda por cima, a danada tem espírito rebelde que nem operário do ABC nos primórdios do PT. Com a chefia vem resposabilidades outras e aí também não vai nenhuma novidade. Ela até que estranhou os cursos para formação de líder, mas no terceiro já curtia e se sentia uma líder nata.

Sempre chega o dia da verdade e o dela não demorou: teria de estrear na demissão e dar cartão vermelho para uma zinha há pouco mais de dois meses naquele trabalho. Pra quê? Minha amiga entrou em parafuso, passou noites sem dormir só pensando naquela coitada e sua filhinha de 10 anos sem o bendito salário no fim do mês. E pouco importava que a mulher com a cabeça na forca fosse incompetente, mau caráter, puxadora de tapete e outras amenidades. Ela sabia de tudo isso, mas se doía mesmo assim.

Ficou combinado que a tacada final seria no final da primeira semana útil de janeiro por causa das festas de fim de ano e que tais. E não exagero dizendo que a demissionária não saiu de seus pensamentos por mais de uma hora nesses dias todos. Mas o serviço tinha que ser feito e assim o foi. A futura desempregada ficou indignada, disse que nunca esperava aquilo, falou em perseguição e representou muito bem o papel da vítima até o final. Minha amiga ficou se sentindo a última das moicanas, a desalmada e morria de medo de levar um processo da ex-funcionária. Mas por quê? Nem adiantava perguntar e ela só desencanou dias depois quando a analista lembrou que empregados em período de experiência podem ser tranquilamente mandados embora e sem maiores dores de cabeça. Hoje ela até ri contando isso, mas sofreu e se torturoi como uma tirana.

Nada como um dia após o outro e aquela primeira demissão libertou minha amiga líder. Agora, basta alguém olhar atravessado que ela já pensa em puxar o cartão vermelho. Dia desses implicou com uma garota que andava por lá, morreu de ganas de demití-la, mesmo depois que lhe contaram que era a filha do chefão. Minha amiga anda doidinha pra demitir mais alguém. Viciou na coisa e até pensa em frequentar um "demitidores anônimos".

domingo, 27 de janeiro de 2008

PRAGAS QUE ATACAM NO ESCURINHO

Num almoço dia desses com o pessoal do trabalho – e nossos almoços costumam ser uma festa, com os assuntos mais absurdos – disse que odeio quando aparece alguém no cinema pedindo para pular uma cadeira. É verdade, odeio mesmo e costumo evitar isso sentando nas pontas, bem na frente, distante das massas e dos casais morzinhos, que nunca param de conversar: “mor, você quer embora?”, “essa aí não é a Julia Roberts”, “ai, não, ele vai morrer” e levezas assim.

No feriado, numa sessão de Lady Chatterley, um par morzinho da terceira idade (quanto mais velho, mais morzinhos e insuportáveis se tornam) encheu minha paciência uns 15 minutos, até que numa cena onde a Lady está sendo examinada o homem cochichou: “ele tá procurando caroço no pescoço dela”. A solução, que poderia ter sido pisotear os dois, foi me aboletar na quase deserta primeira fila.

Casal morzinho é foda, mas existem três coisas que odeio no escurinho do cinema. A primeira, chamo de “galinhas ciscando”: são os pipoqueiros que manuseiam os abomináveis baldes GG. Aquele som tem tudo a ver com galináceos fazendo a festa no lixo.

A segunda, normalmente vem acompanhada da primeira: os detonadores de bombas. Como assim? Calma que não tem nada a ver com terrorismo. Os detonadores de bombas no escurinho do cinema portam inofensivas latas de refrigerantes. O simples ato de abrir a latinha adquire ali o efeito de uma explosão. De repente isso acontece porque a qualidade de som das salas de cinema melhorou nos últimos anos e qualquer barulhinho ali dentro ganha proporções bem maiores (um cochicho na fila de trás parece que vem diretamente ao meu ouvido).

Já a terceira é uma praga mais recente: os vagalumes. Claro que não me refiro aos simpáticos insetos, nem a extinta classe dos lanterninhas. Os vagalumes atuais são os donos de celulares - e nem vou falar de quem esquece de desligar o maldito - deveriam ser simplesmente fuzilados. Os vagalumes objeto do meu ódio são os que abrem o aparelho no meio da sessão, seja pra verificar a hora ou mandar mensagem. E venha de onde venha aquela maldita luzinha azul tem o poder de atrair a atenção e fazer com que se perca trechos de cenas e diálogos.

Vagalumes, galinhas ciscando e detonadores de bomba tem o poder de mexer com meus nervos. Se um cinema tivesse, proibiria a entrada de pessoas com pipocas, latas de refrigerantes e celulares ligados. Impossível? Nem um pouco. Até bem pouco tempo as salas mais bem frequentadas eram assim.

A história das canções: Tudo que tem no MORRO VELHO é verdade, diz Milton Nascimento

Composição só dele, Morro Velho é das minhas preferidas do Milton Nascimento e tem várias gravações maravilhosas. Guardo um xodó espec...