terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Aniversário de DudaSP



Marisol é a versão lésbica e adulta da Monica dos quadrinhos. Mora em Bauru, tem 19 anos, o sotaque de lá, é gordinha, tímida, caminha encurvada e morre de medo que a família descubra sua “tendência”. O pai é conhecido na cidade e o irmão, professor de cursinho. Pra não levantar suspeitas, freqüenta a igreja.


Carente, gente boa, compensa as frustrações amorosas dedicando-se aos estudos. Saca tudo de biologia. A paranóia com suas “tendências” é tanta que vive com medo de tudo. Primeiro dia de aula, uma bichinha colega, senta ao seu lado e diz “você é do babado?”. Sai em disparada e rezando para que ninguém tenha ouvido semelhante absurdo. Mas com o tempo ficam amigos e ela sempre avisa “pega leve que meu irmão é professor conhecido, tem extensão no telefone daqui de casa” e outras paranóias assim.


Freqüenta os bate-papos da internet, conhece a sapataria toda e tem um fascínio especial por DudaSP, a rainha da turma. Depois de meses de papo, foi convidada, junto com as meninas do site, para os 26 anos da gostosa DudaSP. Sábado, numa boate de meninas, a Ypsis. Cheia de maus pensamentos, vem a São Paulo para conhecer as meninas e se hospeda num hotelzinho da Augusta. Com o coração aos saltos, antes das dez toma um táxi e ruma para a Ypsis.


A casa é linda, cheia de escadas, brilhos e está praticamente vazia. Ainda é cedo, mas quem disse que a inexperiente na noite Marisol sabe disso. Nada de DudaSP e, impaciente, decide explorar o piso superior. Mais ou menos na metade da escada iluminada, sente uma ferroada na perna direita. Em poucos segundos tropeça e rola degraus abaixo. Algumas gatas pingadas viram, mas nenhuma vem socorrê-la. Arrasada, decide se mandar. Antes da meia-noite já está no hotel e passa a noite chorando, enquanto ouve barulho de sexo por todo lado, que a Augusta ferve.

No dia seguinte, oito da manhã, já está no ônibus que vai levá-la de volta e chora durante toda viagem. À noite, entra na rede e todas comentam o aniversário, que tinha sido “do babado, uma coisa”. “Pq v. não apareceu?”, pergunta JôGuarulhos. Ainda aos prantos, Marisol soluça, mas seus dedos não hesitam em escrever: "Tinha outro compromisso”.

Um comentário:

Mdme Val disse...

pobre Marisol, precisamos reabilita-la..... Muito bom, Vil!!! bjs

Houve um revólver na minha vida. E fuzil também

Um trezoitão foi personagem de minha infância. Episódio difuso, enigmático, envergonhado, repleto de sombras: só fui saber mais dele quan...