quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu e o Buda Nagô


Faz quase um mês que Dorival Caymmi se foi. E sua mulher Stella, há poucos dias. Adorava Caymmi e tive a honra de entrevista-lo por telefone em 1994, pouco antes de ele completar 80 anos. O papo tinha tempo marcado - 20 minutos - mas a primeira coisa que ele perguntou foi quanto tempo eu precisava para uma boa entrevista. E nossa conversa rolou durante uns 40 minutos. Desliguei o telefone emocionado. Era perto do meio-dia, lembro bem.

Soube da morte de Caymmi no aeroporto de Porto Alegre, voltando para casa depois de uma visita à minha família que não via há anos. Era sábado, final da manhã de sábado e fiquei emocionado. Encontrei agora a matéria que escrevi para a revista Audio News. É uma das minhas preferidas, acabo de reler e vou copiar um trecho:

Dorival adora falar de família e dos amigos até bem mais que de música. Quando o assunto é música, adora contar histórias divertidas e elabora teorias engraçadíssimas, como esta: "Violão é um instrumento muito suspeito, sempre ligado à cachaça e mulher. Violão não é para a sala. É para ficar no quintal, na copa, no armário", diz rindo. Mas qual instrumento que pode ficar na sala, Dorival? "Só harpa e apenas para enfeitar, não para tocar", ri mais ainda. O primeiro violão, lemba, era do pai, que ele define como "músico caseiro" que também tocava bandolim. "Mas o primeiro de verdade mandei buscar no Rio, custou 18 mil réis na loja Guitarra de Prata".

E tem uma outra frase dele na entrevista que adoro: "o lado de botequim mais o lado família são duas das coisas fundamentais da vida"

Um comentário:

leah disse...

Que inveja desta entrevista, que delicia ler este texto tão lindo!

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