segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Castelinho do amor, adeus


Dois andares, bem simplinha e discreta a casa. O embranquiçado encardido sinalizava a decadência também visível na vizinhança de galpões e outras mal tratadas residências de dois andares. Do outro lado da rua, a uns 50 metros, um concorrido ponto de ônibus e do lado dele um motel com jeito daqueles de beira de estrada. Só com muita boa vontade podia se imaginar um castelo ali. No pequeno neon na entrada um “bem-vindo” emoldurado num daqueles sorrisos com jeito de emoticon e o nome do estabelecimento Castelinho do Amor pra não deixar dúvidas de que de um puteiro se tratava. E barato, bastava olhar pra perceber, local para programas rápidos.
Aqui funcionou o Castelinho do amor

Passava ali quase todo dia – horário do almoço ou começo da noite – e raras vezes vi sinais de vida no planeta castelinho. Nem som de música, nem muitas luzes. Tudo discreto e mais pro escuro. Ao lado, uma pequena lanchonete e muito raramente alguma moça que parecia labutar ali: sem muito trato na aparência, chinelos de dedos nos pés, shorts mas não shorts cu de fora.


Certo dia, de surpresa, encontrei o Castelinho do Amor fechado. Percebi que o neon sorriso bem vindo mudara para uma casa cor de carmim na esquina, mas o nome “castelinho do amor” não. Foram alguns meses de sinais de abandono maiores a cada dia até o corte final: a casa estava no chão e sinal dela só nas paredes laterais das residências vizinhas. Faz algum tempo da demolição e até um muro surgiu e foi grafitado. Do lado direito, mais duas casas, e depois um muro imenso, do mesmo material, esconde o terreno enorme de novo empreendimento comercial/residencial na valorizada região. Não existe mais espaço para Castelinho de amor em SP. 

Jorge Fernando: Eu sou o show

Releio a entrevista que fiz e da qual guardo ótimas lembranças, na primavera de 1994, com Jorge Fernando. Foi na revista Video News), ...