sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quatro gatos


Anos 90. Kurt Cobain sempre me passou sinceridade e esse retrato caseiro reforça o jeitão cara comum. É momento de paz na vida de alguém que parece ter passado a vida toda atrás dela. O olhar de Kurt, o olhar de Frances e o filhote de gatinho. Um dia feliz, deve ter sido sim.



A fisionomia etérea da pessoa assemelha-se a do felino branco. Ambos distantes e mirando paisagens outras. Audrey Hepburn de olho no estar bem na foto e o gato, bom, o gato deve estar vislumbrando um passarinho sapeca voando por trás da vidraça. E a chuva caindo


Elizabeth Taylor é o melhor retrato do star system hollywoodiano. É só observar seus retratos e comparar com o das celebridades atuais - Angelina, por exemplo. É outro mundo, claro, mas Liz Taylor só uma. E aqui, quase um luxo, de dona de casa que esqueceu o bichano no bolso do vestido petit-pois. Chiqueria total.





Marlon Brando bem jovem e todo trabalhado no Actor´s Studio. Cara de ensaio pra mostrar que jovens astros também são gente. E que Brando, promessa de Hollywood, também tinha intimidade com teclados. E a tranquilidade do mimi branco esparramando-se entre a almofada do sofá e o pescoço do galã?








domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mix de letras

Há um tempo, contei aqui de uma brincadeira que adoro: ir à estante, pegar livros ao acaso e ler apenas a primeira frase deles. É fatal: a junção faz sentido. Hoje resolvi escolher cinco (esse é o número chave) de um só autor – uma autora, a Clarice Lispector. Eis o lance, na ordem em que os retirei da prateleira:

------ estou procurando, estou procurando. Tudo no mundo começou com um sim. Ela seria fluida durante toda a vida. A máquina do papai batia tac-tac... tac-tac-tac... Esta história começou numa noite de março tão escura quanto é a noite enquanto se dorme.

Pra mim, casou tudo e resultou num começo de história interessante e plausível. E agora, vou a uma novidade na brincadeira: juntar as últimas frases dos mesmos livros. Será que funciona?

E então adoro ----- Sim. De qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo. E esse modo instável de pegar no escuro uma maça – sem que ela caia.

Fechou de novo. Faz sentido. Quer conferir? Os parágrafos mais literários reúnem as primeiras e as últimas desses livros, nessa ordem:

A Paixão Segundo GH
A Hora da Estrela
O Lustre
Perto do Coração Selvagem
A Maça no Escuro

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maria Schneider: tangos e noites felinas



Obviedade é coisa que odeio. Piadas óbvias, então. Sabe gente que fala “loser” pra se referir à banda Los Hermanos? E “loser” é, provavelmente, uma das palavras mais escrotas do planeta, daquelas que só fica feia para quem a pronuncia. Loser pra quem, cara pálida? Bom, voltando, hoje morreu Maria Scheneider e no twitter, claro, eclodem as piadinhas sobre manteiga. Pobreza de espírito. A tal cena da manteiga é apenas um detalhe (quase cândido aos olhos atuais) de um filme obra-prima.

Pois o escândalo O Último Tango em Paris crucificou Maria Schneider. Para o então quase cinquentão Marlon Brando, ao contrário, representou a volta ao estrelato. Mas a garota de 19 anos só faltou ser mandada à fogueira por tal ousadia. E isso que era a primeira metade dos anos 70, tempos mais liberais.

O Último Tango demorou anos pra chegar ao Brasil. Assisti pela primeira vez bem garoto e a famosa cena da manteiga nunca me impressionou. A beleza - sem retoques e ao estilo natural de então - de Maria Schneider sim, tanto que virou símbolo de uma época. A fama da jovem francesa foi tanta que até nas sátiras musicais dos Trapalhões foi parar – Maria xinaida, na linguagem do Didi.
La Schneider fez pelo menos mais dois bons filmes: Passageiro – Profissão Repórter e Caros Pais, esse menos visto e com Florinda Bolkan como uma mãe à procura da filha na swinging London. O escândalo O Último Tango e a loucura daqueles anos não davam trégua. Maria Schneider aparecia nas revistas com uma namorada ("lésbica!"), mergulhava nas drogas e aos poucos o mundo foi esquecendo dela. Nada de novidade, atitudes ousadas costumam ser punidas pela sociedade conservadora e machista – vide Frances Farmer e Lindsay Lohan, em épocas tão distintas.
No começo dos anos 90, quando a epidemia da aids estava no auge, ela apareceu no elenco de Noites Felinas (Nuit Fauves), filme escrito, dirigido e estrelado por Cyrill Collard, que era soropositivo e morreu praticamente quando o filme fo lançado. A moça linda dos anos 70 já não existia e aquele rosto trazia as marcas de uma vida complicada. O mundo também era outro e menos liberal.
O corpo de Maria Schneider será enterrado no famoso cemitério Père-Lachaise, de Paris. Olho agora a foto dela aos 58 anos, a idade com que morreu. Não é a imagem que vou guardar, pra mim será sempre a garota linda e à procura da felicidade de O Último Tango em Paris. A cena da manteiga? Ah, não me venha com obviedades. É tudo bobagem de uma sociedade impiedosa para punir quem ousa fugir de suas amarras.


Jorge Fernando: Eu sou o show

Releio a entrevista que fiz e da qual guardo ótimas lembranças, na primavera de 1994, com Jorge Fernando. Foi na revista Video News), ...