terça-feira, 25 de abril de 2017

Cleyde, Tônia, Maria e Cacilda no reino da propaganda

Elas reinaram no teatro a partir dos anos 50 - Cacilda chegou ainda nos 40. Aqui, comerciais delas em revistas. Os de Cleyde Yaconis, Maria Della Costa (colchões Probel) e Cacilda Becker (tapetes Tabacow) são dos anos 50. Os dois de Tonia foram veiculados em 1963.

Cleyde Yaconis, 1956






Maria Della Costa, 1956

















Cacilda Becker, 1955
T
Tônia Carrero, 1963









Tônia Carrero, 1963

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Autógrafos que não pedi e vieram a mim


Por timidez, falta de jeito e esquisitices outras, pedi autógrafos para poucos. Alguns, de pessoas que não conheci, me chegaram por vias tortas e se tornaram xodós.

O mais antigo é de Carlos Drummond de Andrade. Só a assinatura dele numa coletânea bilíngue publicada na França, em 1973. Será que eu já tinha ouvido falar do poeta então? Provavelmente não. Marisa Raja Gabaglia (ela apareceu terça no último Tá No Ar!) foi quem pediu o autógrafo e me deu o livro quando trabalhamos na redação do Diário Popular, começo dos anos 90. Mais: Marisa colocou uma dedicatória linda (Vilmar, como Drummond você pode dizer: “não estou vazio, não estou sozinho pois ando comigo algo indescritível”. É você) e assinou. Então, são dois autógrafos.

O de Hilda Hilst veio por vias muito da tortas. Comprei – novo e na livraria – o exemplar com Rútilo Nada, A Obscena Senhora D e Qadós. Só percebi o tesouro que tinha nas mãos ao chegar em casa e ver que estava assinado pela autora, com beijo e tudo. Como assim? Explico: um cara (vou omitir o nome porque ele pode aparecer) compareceu à sessão de autógrafos em 16/09/93 (há o comprovante do caixa), pagou 980,00 de sei lá qual moeda e esqueceu o livro, que foi colocado à venda e veio morar comigo.

Um autógrafo internacional me coloca a graus de separação de Brian Jones, Keith Richards e Mick Jagger, os Rolling Stones. É o de Marianne Faithfull em uma biografia que comprei na Espanha. Anos depois, meu amigo Eduardo Zaca fez a gentileza de pedir para Marianne autografá-lo num festival de Berlim em que ela lançava Irina Palm. Existem outros, vários outros, estes são muito queridos .


terça-feira, 11 de abril de 2017

Carolaine no fio da calçada

Quase fim da tarde. Numa Paulista aberta carnavalizada, topo com Carolaine. Toda de preto, blusa decotada, sutiã roxo aparecendo. Tem algo de Madonna lá nos primeiros tempos, uma Madonna das ruas. Está pedindo moedas, fugindo dos seguranças que a enxotam sem dó. Eu, de óculos escuros, sentado no fio da calçada. Ela me olha, dou um sorriso e a danada coloca os óculos que estavam equilibrando nos cabelos tingidos. "É pra ficar igual a você, vou tapar os olhos", fala arrematando com um "a loka". “E olhos lindos”, respondo. Cinzentos, vivos, sob sobrancelhas pintadas. Caroline abre um sorrisão, diz um monte de obrigada obrigada e senta ao meu lado. Amiga instantânea.

Em minutos, ela me conta que foi clubber quando menino, que agitou muito na noite e que há sete vive nas ruas, desde que expulsa de casa pela mãe. Tem 27. Aos 13 frequentava o Atari, Bocage e outros endereços da noite gay paulistana do início do século. Fala que queria ficar cheirosa e me pede pra comprar pasta de dente, desodorante e sabonete. "Não precisa ser caro. Tudo de menina", diz meio rindo e fazendo charme. Não quer ir comigo à farmácia. Compro as encomendas de Caroline e, na volta, não a encontro no fio da calçada. Espero um pouco e dou uma circulada - está sentada, apoiada numa lixeira. Abre um sorrisão quando vê o pacote e mais ainda quando digo que tem um chocolate também. Ganho um abraço bem apertado e fico ali, vendo Caroline se afastando na avenida cheia de gente fantasiada e, toda toda, segurando a sacola de plástico que vai lhe perfumar a existência.  É, Carolaine, como já disse alguém, “ a vida é assim...dura”.

Jorge Fernando: Eu sou o show

Releio a entrevista que fiz e da qual guardo ótimas lembranças, na primavera de 1994, com Jorge Fernando. Foi na revista Video News), ...