sexta-feira, 31 de maio de 2019

Seis meses na vida da gata Nina



Nina, no dia do resgate e há poucos dias
Repare na foto acima (a da esquerda, primeiro) e no olhar de assustada da gatinha indefesa. Era final de novembro e ela foi encontrada embaixo de um banco de um ponto de ônibus, em Guarulhos. Bebê, no máximo dois meses, toda suja, com dor (patinha trincada), cheia de pulgas e morta de fome. Quiseram os deuses que um anjo, a Ruth, passasse por ali e a resgatasse.

"Chegando em casa dei banho bem quentinho, quase dormiu no banho, depois comeu, e como comeu rs. Daí começou a caminhar e percebi que está com algum probleminha na perninha direita traseira.", conta Ruth.

Corte para 6 meses depois. Olho na outra foto lá em cima, a da direita, ou essa aqui ao lado. É Nina. Ela veio cá pra casa depois de uma temporada de quase dois meses na Ruth. Já estava linda, saudável (o problema na patinha tratado) e sapeca quando a adotei. E a cada dia fica mais adorável, aqueles olhos assustados de quando bebê abandonado se transformaram em duas bolotas verdes imensas, expressivas, cheias de vida e encanto por ela, a vida.

Só ontem vi o vídeo do dia em que Nina foi resgatada, de onde fiz a foto. E por que estou postando aqui? Simples: pra lembrar da importância de não comprar animais, de adotá-los. E de ajudar esses "anjos" que os resgatam das ruas. São muitos, a maioria mulheres que, muitas vezes até sem condições financeiras, dedicam muito tempo de suas vidas a retirar das ruas, tratar e encontrar lar para eles.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

50 anos depois o massacre de Sharon Tate volta via Tarantino

Abertura da matéria da revista Manchete com a cobertura da morte de Sharon Tate
Um dos assassinatos mais brutais de Hollywood, o massacre que vitimou Sharon Tate  e mais três pessoas ocorreu há quase cinquenta anos, em 5 de agosto de 1969. E volta agora com Era Uma Vez em Hollywood, o filme de Quentin Tarantino exibido há poucos dias no Festival de Cannes.

Apontada como a Brigitte Bardot americana, a substituta de Marilyn Monroe, o reinado de Sharon Tate foi curto, pouco mais de dois anos. O Vale das Bonecas (1967) foi o filme que a colocou entre as jovens atrizes mais promissoras da segunda metade dos anos 60, junto com Raquel Welch, Faye Dunaway, Candice Bergen, Mia Farrow, Katharine Ross e outras. Contratada com exclusividade, Sharon Tate ficou dois anos e meio "escondida" pelo estúdio, que teria investido 1 milhão de dólares nela.

Baseado em um best-seller de Jacqueline Susan que Hollywood comprou antes de ser publicado, O Vale das Bonecas mostrava a trajetória de três garotas em busca de glória, dinheiro e sucesso no show business e sendo praticamente engolidas.

Depois veio a vítima das criaturas das trevas de A Dança dos Vampiros, filme do polonês Roman Polanski e  o encontro amoroso dos dois. O casamento (Sharon tinha 24 anos e Polanski, 34) ganhou as páginas das revistas. "O diretor que se diverte satirizando a sociedade burguesa conquistou uma das mulheres mais bonitas do mundo", dizia a matéria da Manchete. E a revista descrevia Sharon como "o mais suave rosto e o mais perfeito corpo da última safra feminina de Hollywood", "a garota do milhão de dólares" (o valor que a Metro teria investido para transformá-la em estrela).

Logo após A Dança dos Vampiros, mas lançado antes, veio a loira escultural e inocente que deixava Tony Curtis embasbacado  na comédia Não Faça Onda. Com "mini-saia de gala", descrição da Manchete, Tate foi uma das estrelas do conturbado Festival de Cannes de 1968, o ano dos protestos estudantis na França, acompanhando o marido que lançava O Bebê de Rosemary, estrelado por Mia Farrow. O filme causou escândalo por suas irreverências religiosas e até chegou a ser proibido pela Liga Católica dos Estados Unidos.

O conto de fadas hollywoodiano acabou em 9 de agosto de 1969, quando o bando de fanáticos de Charles Manson a massacrou junto com amigos na mansão hollywoodiana. Sharon estava grávida e teria o filho um mês depois. Roman Polanski não estava na casa, filmava em Londres. A autoria do assassinato só foi descoberta após quatro meses. E depois desse banho de sangue, Hollywood nunca mais foi o mesma. A morte de Sharon Tate praticamente antecipa o fim do sonho hippie de paz e amor. Como o bando de fanáticos liderados por Manson era hippie, a imprensa usou e abusou do termo. E agora viram personagens de Quentin Tarantino, um diretor que não costuma ter carinho por suas personagens.


POLANSKI FALA DE SHARON TATE


Na autobriografia Roman (Record, 1984), Polanski fala de Sharon Tate e muito, claro. Abaixo, trechos sobre quando se conheceram, como ela era e sobre o enterro. 

"Foi lá (numa festa) que fui apresentado a Sharon Tate. Demo-nos um aperto de mão, tivemos uma conversa cordial e trocamos nossos números de telefone, antes de seguirmos para nossos diferentes caminhos. Lembro de ter pensado nela como uma garota excepcionalmente bonita, mas Londres estava cheia de moças bonitas. Mais precisamente, ela era a beleza comum entre as americanas - não o que eu tinha em mente para A Dança dos Vampiros."

"Sharon era mais do que estonteante de se olhar. Não era ingênua, nem burra, nem uma estrelinha clichê. Seu passado era da classe média convencional, mas não com traços específicos. Seu pai, um oficial do serviço secreto do Exército dos EUA, tinha sido lotado na Europa e ela falava italiano fluentemente. Enquanto adolescente, havia vencido vários concursos de beleza e sempre tinha ansiado por fazer carreira no cinema, apesar do medo do seu pai de que Hollywood fizesse dela uma presa fácil para machos devastadores, se não a tornasse uma prostituta de alta classe." 

"Os assassinos tinham espalhado ondas de terror irracional por toda a comunidade de Hollywood. Apesar de seus temores, todas as estrelas foram ao enterro. Era como se fosse a estreia de um filme horrível. O único ausente foi Steve McQueen, um dos amigos mais antigos de Sharon. Nunca o perdoei por isso.
Seu enterro foi irreal, Eu tinha que ficar me lembrando de onde estava. Sentei-me ao lado da mãe de Sharon, abraçando-a e chorando. O padre proferiu uma mensagem muito comovente, mas enquanto ele falava, o mesmo pensamento voltou várias vezes: dentro daquele caixão estava o corpo de Sharon. Por mais que tentasse me concentrar, a única coisa que eu podia pensar era a cicatriz no joelho esquerdo de Sharon. Era uma cicatrizinha branca - o resultado de uma operação de cartilagem depois de um acidente de esqui. Durante todo o serviço, tudo que fiz foi visualizar a cicatriz que nunca veria de novo."

sábado, 18 de maio de 2019

Elton John, minha primeira diva pop



Postei uma foto de Elton John no Festival de Cannes pra badalar a cinebiografia Rocket Man e escrevi que ele foi meu primeiro ídolo pop das gringas. Pois foi. Veio com Skyline Pigeon na trilha de Carinhoso, novela estrelada por Regina Duarte, Claudio Marzo e Débora Duarte. Eu não entendia quase nada de inglês (nem skyline, muito menos Pigeon), mas aquela melodia me tocava. 

Depois vieram as revistas com matérias destacando as coleções de óculos extravagantes, sapatos com plataforma (pra ganhar uns centimetros) e até avião do popstar inglês. Na primeira metade dos anos 70, Elton era Madonna + Lady Gaga + todas as divas do pop num homem só. Tá, havia Diana Ross, Cher e poucas outras, mas sem o barulho das atuais.


Dos discos todos, o do coração é Captain Fantastic, que volta e meia escuto inteiro e ainda sei de cor todas as letras que fui decifrando com auxílio de dicionário. Goodbye Yellow Brick Road é outro e a paixão era tanta que minha turma da época se despedia com as palavras do longo título no lugar de tchau.  Era disco duplo e foi lançado aqui como LP simples com dez faixas das 17 e numa ordem aleatória. Só com a chegada do CD, fui conhecer lá pela metade dos anos 90, todas as músicas, que a gravadora havia me roubado por tantos anos - Sweet Painted LadyThe Ballad of Danny BaileyBennie and the Jets e outras que não estavam no LP brasileiro. E Fiquei maravilhado com o encarte que trazia todas as letras e ilustrações incríveis.

Houve um tempo em que eu era "confundido" com o meu primeiro ídolo. Certa vez, num parque, uma garota deixou o namorado de lado e veio até mim: já te disseram que você é a cara do Elton John?”. Eu ri meio amarelo. E isso já se repetiu em elevadores, no cinema... Passou :).  

Jorge Fernando: Eu sou o show

Releio a entrevista que fiz e da qual guardo ótimas lembranças, na primavera de 1994, com Jorge Fernando. Foi na revista Video News), ...