domingo, 30 de dezembro de 2012

O No chileno e a eleição Collor X Lula: conexões

Rede Povo, campanha PT 1989
No, plebiscito Chile 1988

É o plebiscito de 1988 que tirou Pinochet do poder o tema do chileno No, em cartaz nos cinemas. É muito bom e assisti o tempo todo com a eleição presidencial de 1989 na cabeça. Assim como no filme, a disputa entre Collor e Lula era praticamente um plebiscito por mudanças no País. E, como no No chileno, a campanha eleitoral do PT era moderna, ousada. Havia uma “Rede do Povo”, que mostrava “o que a outra não quer mostrar” e a participação intensa dos artistas.

Em A Mulher do Barbosa, livro sobre a Louise Cardoso que escrevi para a Coleção Aplauso (Imprensa Oficial SP), ela fala sobre a campanha: “Em 1989, segundo ano do TV Pirata, praticamente todo o elenco fez a campanha do Lula, menos Claudia Raia e Regina Casé, que apoiavam Collor e Brizola, respectivamente. A campanha virou um sucesso e Lula começou a subir nas pesquisas. Num dos filmetes, Guilherme Karam aparecia nadando e morrendo na praia, como se fosse Collor; noutro eu estava no supermercado com a Cristina Pereira dentro do carrinho. Tudo bem engraçado e criativo, como os quadros do programa. Mas havia quem não gostasse nadinha daquele engajamento e começamos a receber telefonemas anônimos lá no estúdio – num deles nos chamavam de ninho de serpentes lésbicas”.

Essa cena poderia fazer parte de No. Teve de tudo nessa campanha do histórico “Lula-lá brilha uma estrela”: na última semana o depoimento sobre a filha “ilegítima” de Lula, o debate manipulado, o sequestro de Abílio Diniz... (aqui, um histórico da eleição 89:  http://noticias.uol.com.br/especiais/eleicoes-1989/ultnot/2009/12/17/ult9005u14.jhtm   

Ao contrário da vitoriosa campanha No do plebiscito chileno, Lula ainda não chegaria a presidência e o resto todo mundo sabe.

Mais conexões No e Brasil: nas últimas cenas do filme, aparece a campanha de lançamento da novela Bella y Audaces e uma personagem se apresenta: Kiki Blanche, cinco filhos, cabeleireira, ex-vedete. Sim, era a versão chilena da novela da Globo Locomotivas (1977). 

Link com a participação dos artistas na campanha do PT



A Rede Povo no horário eleitoral do PT



Abertura de Bellas y Audaces, 1988


Abertura de Locomotivas (1977)




sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A jovem Thelma Reston

Thelma Reston em 1964


Thelma em Aquele Beijo
Há alguns anos me encantei com O Jovem Lennon, livro do espanhol Jordi Sierra, sobre a vida de John antes de virar um Beatle. E desde então tenho a mania de pensar em como as pessoas eram quando jovens. Ontem morreu Thelma Reston, aos 73 anos e eu gostava muito dela. A primeira imagem é a da “gorda”, a mãe da família de Os Sete Gatinhos. Faz poucos meses me deliciava com a verve espirituosa dela em Aquele Beijo, a novela de Miguel Falabella, que sempre a escalava. – Dona Gôndola, a mãe de Ademilde em A Lua me Disse, foi outro grande momento de Thelma.

Mas como era Thelma Reston quando jovem? Gracias a maravilha internet encontrei rapidinho. E nos anos 60, Thelma arrasava nos palcos cariocas em O Prodígio do Mundo Ocidental (Synge), Espectros (Ibsen), A Falecida (Nelson Rodrigues) e A Ratoeira (Agatha Christie), pra citar algumas. No jornal Correio da Manhã, de 17 de janeiro de 1964, encontro a matéria Quatro Jovens a Caminho do Estrelato. Duas mulheres (Thelma e Maria Gladys) e dois homens (João Paulo Adour e Érico Freitas). Os caras da matéria meio que sumiram, mas as duas gatas arrasaram desde então e, olha a “coincidência”: Gladys também é presença constante nas novelas de Falabella.

Abaixo alguns trechos de Thelma Reston, aos 25 anos, falando na citada matéria:

“Não tenho problema de tempo. Ainda estou numa fase de luta. Acho que no Brasil, infelizmente, a atriz ainda não pode encarar seu trabalho como uma profissão. Não há condição para se viver exclusivamente de teatro, tem-se que apelar para a televisão, o cinema, a dublagem, etc.”

“O teatro significa tudo para mim. Cada indivíduo procura se realizar em alguma coisa. Eu procuro esta realização no teatro, no cinema, ou em qualquer outra modalidade da arte de representar. Gostaria também de me dedicar à fotografia, que também me fascina muito. Como não é segredo para ninguém, a carreira artística significa muitos sacrifícios. É preciso muita luta e trabalho. Não se pode parar nunca. É uma constante evolução que só pode parar com a morte. Tem que seguir o ritmo”.

“Sempre tive uma propensão para levar tombos em cena: quando fazia A Ratoeira, no Teatro do Rio, caí três vezes; em Victor ou As Crianças no Poder, no Maison de France, o solado do sapato soltou e tive que passar o ato inteiro procurando me equilibrar em cena. Quando estreei no profissionalismo, na companhia de Rubens Correia e Ivan Albuquerque, na peça O Prodígio do Mundo Ocidental, aconteceu o pior: a saia despencou, e até hoje não sei como consegui continuar representando”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O mais zen dos baianos



O post anterior - Mania de Gilberto Gil – tinha alguns trechos de uma entrevista minha com o cara, em 1994. Algumas pessoas me pediram pra ler inteira. Está aqui, copiadinha total, aproveitando as comemorações dos 70 anos de Gil. E as fotos são de Klaus Mitteldorf

  
Prepare-se, pois você vai ouvir falar muito de Gilberto Gil nesse ano. Ele lança disco acústico, disco inédito, faz show na Europa com Caetano Veloso e com Os Doces Bárbaros e turnês pelo Brasil. Não resta dúvida que 94 é um ano “totalmente sim”, demasiadamente sim” na carreira do baiano. AUDIO NEWS foi atrás de Gil, acompanhando-o durante dois dias, quando ele ensaiou e gravou o especial acústico para a MTV. Duas semanas depois, conversou com exclusividade.

Bem disposto e com uma banana na mão – ao estilo tropicália – Gilberto Gil apareceu nos estúdios da Frame, em Cotia, arredores de São Paulo, onde gravou o Acústico. Gil, com a banana descascada na mão, vai direto ao estúdio conferir os cenários e o som. Depois parte para a exclusiva sessão de fotos que ilustra esta reportagem. Em volta, algumas crianças – que apareceram misteriosamente – circulam pelos estúdios da Frame, com caneta e papel na mão. Fazem menção de que vão partir para a caça de autógrafos, mas desistem e desaparecem. Enquanto a sessão fotográfica não começa, Gil conversa com as pessoas que vai encontrando. Com o figurinista Cao, comenta a repercussão do show de reencontro dos Doces Bárbaros, que tinha acontecido dois dias antes na quadra da Mangueira. “Foi belíssimo”, diz Gil.

Como um modelo, se entrega as fotos, inventa poses e demonstra total intimidade com a lente. Veste sapatilha preta, jeans e camiseta do grupo ecológico Onda Azul. Aliás, antes de chegar à Frame, ele visitou o Partido Verde paulistano. As fotos estão prontas e Gilberto Gil é carregado pelo pessoal da MTV para gravar o Reggae MTV. Cercado pela garotada que produz o programa, escolhe os clips que vai apressentar. “É um programa seu, onde você é o VJ”, ouve atento as instruções do jovem diretor. Sentado em cima de uns caixotes, o cinquentão baiano estreia como VJ. Nos intervalos, o figurinista Cao se transforma em camareiro e, de toalha na mão, enxuga o rosto suado do astro.

Hora de ensaiar o acústico. Gil e músicos começam a complicada sessão de afinar instrumentos, cheios de problemas técnicos para resolver. “Falta grave no estúdio”, reclama um Gil irritado, entre muitos goles de água de côco. Ao violão, dedilha pela quarta vez Três Caravelas até ser interrompido por uma forte microfonia. Mas duas horas depois, os problemas técnicos estão resolvidos, o som limpíssimo e tudo está pronto para a gravação do dia seguinte.


Todo de vermelho e com tamancos pretos (tudo by Cao), Gilberto Gil entra animado no estúdio cheio de convidados: “Eu já nasci unplugged, a minha geração é unplugged e agora vem todo mundo perguntar porque eu decidi gravar acústico”, apressa-se em desmentir a novidade da apresentação. Afinal,  desde que Eric Clapton bateu recordes de vendagens com seu Unplugged, virou moda desplugar os instrumentos da tomada. Na gravação, a empolgação é total, o público reage entusiasmadíssimo, surpreendendo-se com certos momentos, como na versão forró que torna Expresso 222 uma festa ainda maior. O prazer de tocar de Gil e músicos é evidente. A gravação acaba e algumas músicas precisam ser repetidas. “Não se fazem mais discos ao vivo como antigamente”, brinca com a plateia. Este “bis programado” inclui até o que ele chama de “uma versão punk” da inocente Sítio do Pica Pau Amarelo. Exibido pela MTV, o acústico de Gil deu origem a um home video e um disco que serão lançados no começo de abril. No Brasil, o disco vai se chamar Gil Unplugged e no exterior, Gil Acústico. Com o programa da MTV acontece o contrário: aqui foi batizado de Acústico e lá fora de Unplugged. Por que essa confusão? Mistérios de registros de marcas entre MTV e a gravadora Warner.

ZEN – Místico e obscurantista, como ele mesmo se define, Gilberto Gil está cada vez mais zen. “Minha mulher diz que eu sou quase zen. Dia desses encontrei Dori Caymmi, que mora em Los Angeles e ele falou que que ouviu muita gente se referindo a mim como um cara zen, o Caetano vive me chamando de zen. Essa palavra tem sido associada a mim, mas quem dera se eu fosse”. Mais zen impossível. Diz o I Ching e Gil fica atento, pois é admirador do oráculo considerado o mais antigo livro chinês. O observador mais atento vai encontrar hexagramas do I Ching nas capas dos discos Luar, Um Banda Um, Extra e Diadorim Noite Neon. Ele conta que antes de começar o projeto comemorativo (excursão e disco) Tropicália, jogou o I Ching e recebeu o hexagrama 35, que assim recomenda: um governante esclarecido e um servo obediente, eis os requisitos para um grande progresso. Gil reconheceu ali sua porção “servo obediente” e entregou-se ao que chama de “doce liderança” do amigo Caetano. “Ele é mais racional, mais iluminista. Lidera o processo e eu vou a reboque. Ao longo de todo relacionamento, tem sido assim”.

TALISMÃ – Autor de mais de 400 composições, Gil compara sua produção “a parentes distantes que você não pode visitar com frequencia” e a cada novo show recupera algumas delas. Para o acústico, convocou duas filhas pródigas A Paz e A Novidade, gravadas por Zizi Possi e Paralamas do Sucesso, respectivamente. Também recuperou Beira Mar, faixa de Louvação (66), o primeiro disco, e Chiquinho Azevedo, homenagem ao músico, seu companheiro de prisão por posse de drogas em Florianópolis durante a conturbada excursão com Os Dosces Bárbaros, em 1976. “Eu preciso voltar a cantar tanta coisa”, diz e, meio saudosista, cantarola algumas que nunca gravou, como Copo Vazio (“uma música boa, nova, com letra forte”), gravada há décadas por Chico Buarque e Morte é Rainha, por Macalé. Qual a sua música preferida, Gil? “Várias, mas Palco é meu Talismã”. No acústico, a canção-talismã ganha o que ele define de “uma versão rebelada à melodia”, onde faz improvisos vocais à maneira dos cantores negros de soul e gospel. Na nova e acústica versão de Super Homem, A Canção, ele reconhece algumas ainfluências de Sarah Vaughan: “Abri um daqueles “bocão” como ela e a Nana Caymmi costumam fazer, mas que eu só posso fazer de brincadeira”.

Entusiasmadíssimo com o projeto Unplugged, Gil estava mixando o disco (e escolhendo as 15 músicas definitivas) quando o entrevistei. “Está muito bem gravado, tecnicamente perfeito. Para projetos desse tipo, os erros são mínimos. Ainda mais quando soube que o Eric Clapton gravou certas músicas quase 30 vezes para o seu unplugged”, comenta. Você já imaginou um encontro de Clapton, Jorge Ben e Gil, todos tocando violão numa sessão totalmente unplugged? Pois ele conta que isso aconteceu nos anos 70, no Rio, na casa do produtor André Midani e na presença de Chris Wood (ex-Traffic)). “Não tem segredo, quem toca guitarra, toca violão”, diz Gil.

O show de reencontro dos Doces Bárbaros (“Nós quatro com as vozes mais carregadas pelo tempo, só não chorei porque tive que me segurar”) na quadra da Mangueira deixou boas recordações e deve render novos frutos, inclusive uma ainda não acertada excursão nacional. Quem disse que baiano é lento? O Gil 94 está mais trabalhador que nunca e tem agenda internacional lotada para esse ano. Em junho, ele e Caetano estreiam em Nova York um show solo que depois segue temporada pela Europa. Julho, em Londres, acontece nova apresentação dos Doces Bárbaros, com repertório ampliado. Antes disso, faz turnê pelo Brasil para divulgar o álbum acústico e começa a compor músicas novas para um disco novo que vai ser lançado no final do ano. “Tenho um título provisório, mas prefiro não dizer qual. Por enquanto existe apenas alguns esboços de canções e ideias”. A intenção, ele conta, é explorar a interface entre ciência e arte, cultura, religião e filosofia. (Nota: É o disco Quanta, lançado em 1997)


No Acústico, Gil é acompanhado por uma super banda. Há quem prefira ouví-lo acompanhando-se apenas pelo violão e Gilberto Gil “adora cantar sozinho”. Mas explorador e músico também, como se define, gosta muito de extrapolar o Gilberto Gil que conhece muito bem e alçar novos vôos. “Eu já sei que sou um cara bacana, uma personalidade, e trabalhar com bandaé tudo que eu quero nesse momento”. Nos ensaios com Marcos Suzano e Celso Fonseca, ele redescobriu o prazer de fazer versões integrais e completas de versões antigas. Assim, em Sampa – sugestão de Caetano Veloso -, Gil e músicos exploraram uma sonoridade do tipo Radamés Gnatalli. Já Tenho Sede ganhou uma versão folk.

Em dezembro, faz um ano que acabou o mandato de Gilberto Gil como vereador de Salvador. “Não demonstrei talento para as funções. Era surpreendente me ver tão calado, tão inibido. Acho que a cidadania coletiva inibia a cidadania individual”, analisa. O Eterno Deus Mudança (89), gravado nessa época, foi rejeitado pelo público, recebeu críticas pesadas e chegou a ser chamado de “disco de vereador”. “Como repertório, gosto mais dele do que de Parabolicamará. Mas, como disse Caetano, eu ajudei a crítica, fazendo um disco apressado no tratamento musical, tímbrístico”. Hoje, o cidadão Gilberto Gil dedica-se ao grupo ecológico Onda Azul e faz parte da executiva nacional do Partido Verde. Já o músico Gilberto Gil é cada vez mais cidadão do mundo.
                                          Revista Audio News, 1994

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mania de Gilberto Gil


Ando numa fase completamente Gilberto Gil, que começou a partir da presença dele no programa do Jô. Gil cantou várias do novo Concerto de Cordas e Máquina de Ritmo e sereno, sábio, aos 70 anos, contou histórias incríveis. Com Gil na cabeça, separei alguns discos dele (em LP) que não ouvia há um bom tempo. Gil e Jorge (o prazer e a liberdade de tocar no encontro com Benjor), Gil em Concerto (com participação de Jorge Mautner, retrospectivo) e O Eterno Deus Mudança, que acabei de escutar. Daí me veio uma entrevista que fiz com Gil na época (1994, credo quase 20 anos!) do disco Unplugged MTV, que tinha o título de O Mais Zen dos Baianos (ao lado a capa da revista).
Gosto muito desse trecho: “Diz o I Ching e Gil fica atento, pois é admirador do oráculo considerado o mais antigo livro chinês. O observador mais atento vai encontrar hexagramas do I Ching nas capas dos discos Luar, Um Banda Um,Extra e Diadorim Noite Neon. Ele conta que antes de começar o projeto comemorativo (excursão e disco) Tropicália, jogou o I Ching e recebeu o hexagrama 35 que assim recomenda: um governante esclarecido e um servo obediente, eis os requisitos para um grande progresso. Gil reconheceu ali sua porção “servo obediente) e entregou-se ao que chama de “doce liderança” de Caetano. “Ele é mais racional, mais iluminista. Lidera o processo e eu vou a reboque. Ao longo de todo relacionamento, tem sido assim”.

Vem cá, alguém que faz essa análise tem que ser muito seguro de si, né?  Nunca esqueci essa parte da entrevista, que é das minhas preferidas e feita num longo papo telefônico a maior parte. Ah, e nela Gil falava também do rejeitado pelo público e arrasado pela crítica Eterno Deus Mudança, que chegou a ser chamado de “disco de vereador”, gravado em 1989, quando estava na Câmara de Salvador. Justamente o disco que acabei de ouvir e me interessaram várias das 10 faixas. Doidas essas voltas do tempo. No ritmo dele, Gilberto Gil vai construindo uma carreira impressionante – e não só de cantor e compositor, sua participação como Ministro da Cultura do governo Lula abriu caminhos e vai ficar para a história, assim como suas canções. “Minhas músicas são como parentes distantes que você não pode visitar com frequência”: outro trecho da entrevista.

E no tal Eterno Deus Mudança, topo com uma daquelas músicas que vale por um disco inteiro e até mais que um. É Cada Tempo em Seu Lugar (abaixo), para mim uma canção oração – chamo assim aquelas mais reflexivas que você vai cantando e parece estar a rezar. Exemplos? Tempo Rei e Retiros Espirituais (Gil), Clarisser (Vitor Ramil), Oração ao Tempo e Boas Vindas (Caetano), Amor de Índio (Beto Guedes), Tocando em Frente (Almir Sater, com Bethânia), Everybody Hurts (R.E.M.) e mais algumas e raras que nunca canso de ouvir e nunca sem lacrimar um bocadinho. Daquelas canções que aclaram e acarinham. Sempre.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Caetano e Marighela: tempo tempo tempo

O abraço virou abraçaço numa diferença de 43 anos entre o disco novo de Caetano Veloso e uma velha capa de Fatos e Fotos (foto acima). Quem junta tudo é Marighela, homenageado por Caetano na canção Um Comunista. Na capa da tal revista, Caetano e Gilberto Gil em Londres e a chamada “Aquele Abraço”, referência, claro, à canção de Gil. Em cima, uma foto pequena de um homem morto e em letras garrafais: “Marighela: A Morte do Terrorista”. Data da edição: 30 de novembro de 1969.

 A matéria sobre Caetano e Gil, escrita por eles em primeira pessoa, tem seis páginas e muitas fotos coloridas London london. E a seguinte abertura: “Depois de três meses fora do Brasil, Caetano Veloso e Gilberto Gil escrevem da Inglaterra, especialmente para Fatos e Fotos, contando que Londres “continua sendo”. Já alugaram uma casa de três andares em Chelsea, a apenas dois quarteirões de King´s Road, a rua onde os hippies se misturam aos turistas. Os dois estão aprendendo inglês – Caetano em curso normal e Gil pelo processo audiovisual – dormindo cedo e trabalhando muito, já tendo prontas muitas músicas novas. Mas não vão lançar nada agora e, a todos os convites de gravação, respondem com a mesma frase: “Obrigado, mas só mais tarde”. Explicam: “Quando sair, o disco tem que ser da pesada”. Nenhuma referência à exílio, bem no espírito negror daqueles tempos.
A Última Batalha do Terror, a reportagem da morte de Marighela também tem seis páginas e abre com uma página dupla espalhada dele morto no banco do carro e a seguinte abertura: “Caído no banco traseiro de um Volkwagen, a peruca cinza ao lado, o corpo crivado de balas e ensanguentado: Assim, Carlos Marighela, o líder terrorista de 58 anos, chegou ao fim de sua carreira; surpreendido em uma emboscada pela polícia paulista. A morte de Marighela, exatamente dois meses após o sequestro do embaixador Elbrick, será também a morte do terror?”


"O baiano morreu
Eu estava no exílio
E mandei um recado
que eu que tinha morrido
e que ele estava vivo/ Mas ninguém entendia...”
É um trecho de Um Comunista, a canção de Caetano em homenagem a Marighela, 43 depois da morte dele.




Jorge Fernando: Eu sou o show

Releio a entrevista que fiz e da qual guardo ótimas lembranças, na primavera de 1994, com Jorge Fernando. Foi na revista Video News), ...