domingo, 27 de janeiro de 2008

PRAGAS QUE ATACAM NO ESCURINHO

Num almoço dia desses com o pessoal do trabalho – e nossos almoços costumam ser uma festa, com os assuntos mais absurdos – disse que odeio quando aparece alguém no cinema pedindo para pular uma cadeira. É verdade, odeio mesmo e costumo evitar isso sentando nas pontas, bem na frente, distante das massas e dos casais morzinhos, que nunca param de conversar: “mor, você quer embora?”, “essa aí não é a Julia Roberts”, “ai, não, ele vai morrer” e levezas assim.

No feriado, numa sessão de Lady Chatterley, um par morzinho da terceira idade (quanto mais velho, mais morzinhos e insuportáveis se tornam) encheu minha paciência uns 15 minutos, até que numa cena onde a Lady está sendo examinada o homem cochichou: “ele tá procurando caroço no pescoço dela”. A solução, que poderia ter sido pisotear os dois, foi me aboletar na quase deserta primeira fila.

Casal morzinho é foda, mas existem três coisas que odeio no escurinho do cinema. A primeira, chamo de “galinhas ciscando”: são os pipoqueiros que manuseiam os abomináveis baldes GG. Aquele som tem tudo a ver com galináceos fazendo a festa no lixo.

A segunda, normalmente vem acompanhada da primeira: os detonadores de bombas. Como assim? Calma que não tem nada a ver com terrorismo. Os detonadores de bombas no escurinho do cinema portam inofensivas latas de refrigerantes. O simples ato de abrir a latinha adquire ali o efeito de uma explosão. De repente isso acontece porque a qualidade de som das salas de cinema melhorou nos últimos anos e qualquer barulhinho ali dentro ganha proporções bem maiores (um cochicho na fila de trás parece que vem diretamente ao meu ouvido).

Já a terceira é uma praga mais recente: os vagalumes. Claro que não me refiro aos simpáticos insetos, nem a extinta classe dos lanterninhas. Os vagalumes atuais são os donos de celulares - e nem vou falar de quem esquece de desligar o maldito - deveriam ser simplesmente fuzilados. Os vagalumes objeto do meu ódio são os que abrem o aparelho no meio da sessão, seja pra verificar a hora ou mandar mensagem. E venha de onde venha aquela maldita luzinha azul tem o poder de atrair a atenção e fazer com que se perca trechos de cenas e diálogos.

Vagalumes, galinhas ciscando e detonadores de bomba tem o poder de mexer com meus nervos. Se um cinema tivesse, proibiria a entrada de pessoas com pipocas, latas de refrigerantes e celulares ligados. Impossível? Nem um pouco. Até bem pouco tempo as salas mais bem frequentadas eram assim.

3 comentários:

Tuca disse...

Vilmar,

Se um cinema tiveres, é nele que eu vou!

Mil beijos!

Já sou fã do teu blog.

Tuca

Lineka disse...

Por isso as vezes o melhor cinema é o sofá de casa. Mas é claro que não tem boas histórias pra contar depois!
Vilmar, você é uma figura.

Vou te dar um tapa agora...

leah disse...

Vi,

Concordo, concordo e concordo! Tem, também, aqueles que chegam atrasados e, além de preencherem a tela ao subirem as escadas, pisoteiam a fila inteira.
Adoro cada palavra tua!
Leah

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