segunda-feira, 30 de maio de 2011

A lembrança de um sorriso


De duas matérias lidas no fim de semana restou a lembrança de um sorriso. Um não, dois sorrisos descritos me pegaram. “A recordação que guardo dela é o seu sorriso”: É Alain Delon sobre Romy Schneider no livro Mulheres de Minha Vida, que está saindo na França. Delon e Romy foram um dos casais mais lindos do cinema. Pra mim, o mais. Bem menino, ficava fascinado com as fotos dos dois nas revistas de minhas tias. Belos, jovens, ídolos, mas o romance deixou marcas. E tantos anos após após a morte de Romy – em 29 de maio de 1982, 29 anos ontem, veja só -, me comove essa lembrança que ele guarda da ex da juventude. O sorriso de Romy, escreve Delon, “a iluminava, a metamorfoseava. Era o sorriso de sua alma”

O outro sorriso vem de alguém de quem eu nunca tinha ouvido falar, a pintora Leonora Carrington. Inglesa, ela morreu semana passada (dia 26 de maio), aos 94 anos, no México, onde vivia desde o começo dos anos 40, fugida do fascismo europeu. Casada com o pintor surrealista Max Ernst, conviveu com Salvador Dali, André Breton, Pablo Picasso, Marcel Duchamp, enfim, tout les surréalistes, que conheceu em Paris.  Leonora teve uma vida daquelas de romance, rebelde toda vida, visionária.


Ano passado, a jornalista e escritora Elena Poniatowska, que a  entrevistou durante anos – lançou o livro Leonora, onde recupera a treajetória pouco conhecida dessa mulher incrível. Bom, no texto sobre a morte de Leonora no El País, Elena relembra uma ocasião especial com a mulher a quem tanto admirava. “ao descer a escadaria do Palacio de Minería, em que lhe fizeram uma homenagem, ela me regalou um sorriso tão belo que iluminou vários dias, ou será que agora sou mais sensível aos sorrisos”.

São dois sorrisos, descritos por duas pessoas muito diferentes. Dois sorrisos de pessoas muito diferentes. Em comum, as lembranças que provocaram e a permanência.

Para saber mais sobre Leonora Carrington, eis o link para a incrível matéria de Elena Poniatowska, publicada no El País



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