domingo, 24 de julho de 2011

Um mistério de Clarice decifrado

Clarice Lispector
“O fofoqueiro que habita em mim tem a maior curiosidade em decifrar de quem Clarice Lispector fala nessa crônica publicada no Jornal do Brasil em 14 de setembro de 1968”.

Assim começava o post que aqui escrevi em fevereiro do ano passado. A tal crônica (que posto abaixo) tratava de um cantor e compositor baiano que ligava pra ela de madrugada. Pra mim, desde a primeira vez que li, era Caetano Veloso. Só podia ser.

Dedé e Caetano Veloso
Bom, agora lendo a coluna de Caetano no Globo (sobre Clarice) ele me confirma. “Há um texto curto de Clarice, escrito para jornal, em que ela relata os primeiros telefonemas que lhe fiz. Honra-me que ela tenha demonstrado surpresa pelo tanto que eu conhecia (e entendia) de seus livros (“Baianos são assim?”, ela se pergunta. Mas assombra-me que ela tenha tido uma reação de starlet mídia-freak: atribui a Dedé, minha namorada na época, um ataque de ciúme que não se deu absolutamente. Ela era bem mulher. Misóginos e amantes das mulheres me entenderão igualmente aqui”.

Pronto: consegui decifrar um dos mistérios de Clarice. “Será que era Caetano??? E Ana, que era ferina com Clarice, Quem será essa Ana??? Quem souber que me conte. Por favor”, assim encerrava o meu post. E porque a vida é louca, porque tudo tá ligado e não existe mistério nenhum nisso, foi o próprio Caetano Veloso quem me contou. Por vias indiretas, certo, mas que Caetano contou pra mim contou.

P.S: Opa, resta ainda uma dúvida: quem era Ana, que estava na reunião e era ferina com Clarice, Caetano?

A crônica de Clarice Lispector:
“Um dia acordei às quatro da madrugada. Minutos depois tocou o telefone. Era um compositor de música popular que faz as letras também. Conversamos até seis horas da manhã. Ele sabia tudo a meu respeito. Baiano é assim? E ouviu dizer coisas erradas também. Nem sequer corrigi. Ele estava numa festa e disse que a namorada dele – com quem meses depois se casou – sabendo a quem ele telefonava, só faltava puxar os cabelos de tanto ciúme. Na reunião tinha uma Ana e ele disse que ela era ferina comigo. Convidou-me para uma festa porque todos queriam me conhecer. Não fui.”

O link pro meu post original:

http://viledesm.blogspot.com/2010/02/clarice-e-o-misterio-do-compositor.html


O link pra coluna do Caetano em O Globo:

http://bit.ly/oF9MRr

3 comentários:

Anônimo disse...

Talvez a mulher de Torquato Neto, que se chama(va) Ana.

Anônimo disse...

Na realidade, a letra desta canção não é do Caetano mas do Torquato Neto. Ou melhor, é um poema do Torquato que o Caetano musicou e de forma magnífica. Eu conheço o poema antes da canção e ao ouvi-lo já musicado, foi como se tivesse sido eu que o compusera. O entrosamento entre a linha melódica típica da modinha brasileira com harmonia modais, renascentistas, trouxeram-me o ambiente do Nordeste de forma viva, encantadora.

Penso que o mais correto teria sido de encaminhar a sua interessante busca junto ao Torquato Neto, autor do poema, mas muito infelizmente este já nos deixou – e muito precocemente – no dia 10 de novembro de 1972. O mistério que tinha Clarice continua irresolvido. Pelo menos, para nós.

Anônimo disse...

Ontem, dia 28 de fevereiro de 2025, Caetano Veloso publicou em uma rede social que ele estava numa festa quando ligou para Clarice Lispector, e que Torquato Neto estava acompanhado de sua mulher Ana!

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