terça-feira, 26 de maio de 2009

Sons que me soam

Sons que de repente chegam e se fazem notar. Gosto dos que realizam isso discretamente. Odeio os estridentes, feito buzinas e em praticamente todos os casos. E me irritam os provocados, como alguém batucando com os dedos na cadeira ou na mesa sem motivo algum, só por não ter nada melhor que fazer.

Agora, existem aqueles que me capturam, me fazem pensar e até sonhar. O tic-tac do relógio de parede da cozinha na madrugada é um deles. Bom demais ir andando pela casa, melhor ainda no escuro, e sentir aquele sonido suave rompendo o silêncio. É o martelar do tempo, implacável mas com certa discrição.

Outro é um certo farfalhar que minha gata faz ao comer. Seus dentes triturando os grãos de ração produzem um barulhinho suave que muitas vezes se mistura a um charmoso ronronado, principalmente quando estou por perto a observar. É irresistível: sento ali perto e observo até ela saciar o apetite. Volta e meia ela me devolve um olhar misto de felicidade por eu estar ali com um por que você está com essa cara tão interessada.

O terceiro é o sacolejar de um penduricalho de pedras azuis pendurado na janela da sala. Esse nem sempre é agradável e depende muito da intensidade do vento. Se ele é forte, pode até irritar. Mas quando o vento vem suave produz uma sonoridade discreta e insistente, como se um leve sino de antiga igreja fosse. Existem sons que de repente chegam e se fazem notar.

Um comentário:

Ines disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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