sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Marcos Plonka: grande cara e grande ator

Marcos Plonka em O Pequeno Mundo de Marcos (1968), filme de Geraldo Vietri

Com Patricia Mayo: Gravata de Bambu
No site, a noticia da morte de Marcos Plonka, na noite de ontem, quinta, 8 de setembro. Ele “sofreu um enfarte fulminante durante o jantar”. Tinha 71 anos. Tive a honra de conhecer Marcos Plonka, homem bonachão, simples, grande ator, muito do bem humorado e com um jeito delicioso de contar suas histórias. Procurei-o para uma entrevista, em outubro de 2005, quando começava a escrever uma biografia de Geraldo Vietri. Plonka era um dos integrantes da “turma do Vietri”, grupo de atores que sempre trabalhavam com o autor e diretor. Ele estreou em 1960, no TV de Comédia, teleteatro dirigido por Vietri, em um episódio chamado A Gravata de Bambu.

Com Ana Rosa: O Pequeno Mundo de Marcos
A entrevista foi em sua casa, perto do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Plonka era casado com Olívia Camargo e se conheceram nos bastidores da Tupi. Em 1967, eles viviam um casal em Os Adolescentes, novela de Geraldo Vietri. Trinta anos depois, em 1996, 
voltavam a trabalhar juntos em Irmã Catarina, escrita por Vietri. Marcos era um árabe viúvo que dava em cima da personagem de Olívia. Marcos Plonka fez muitas novelas (Antonio Maria, Nino, O Italianinho, A Fábrica, Vitória Bonelli) e filmes (Quatro Brasileiros em Paris, O Pequeno Mundo de Marcos, Os Diabólicos Herdeiros, Senhora).

Com Vietri e Nair Bello: João Brasileiro

Em Março desse ano, Disciplina é Liberdade (Imprensa Oficial), o livro do Vietri ficou pronto. E a noite de autógrafos, na Cinemateca de SP, teve a luxuosa presença de Marcos Plonka e Olívia Camargo. Ele havia saído do hospital fazia uma semana, depois de um mês internado. Estava disposto, animado, querido como sempre. Lembro que fomos fotografados, mas infelizmente nunca vi essas fotos.




Abaixo, alguns trechos de minha entrevista com Marcos Plonka, grande cara.

Comecei fazendo drama, logo vieram novelas que não eram diárias. E com o Vietri, fiz Klauss, o Loiro (1963), estrelada por Henrique Martins. Eu me lembro que fazia um marginal e tinha cenas com Rosamaria Murtinho. Usava um óculos de sol espelhado, e pegava imagens refletidas na lente do óculos. Era um personagem sério, assim como em O Direito de Nascer (1964), onde fiz o pai da primeira namorada do Albertinho Limonta: Dom Mariano Monteiro Navarro e Castelo de La Fuente, levei quinze dias para decorar o nome do desgraçado”

“Os Reis do Iô-Iô-Iô começou num episódio do TV de Comédia e virou um programa gravado ao vivo no auditório da Tupi. No elenco, Tony Ramos, Dennis Carvalho, Ana Rosa, Giancarlo, Annamaria Dias e Elias Gleiser, que fazia um empresário e imitava o Julio Rosemberg, que tinha uma voz bem rouca. Eu escrevia as paródias das músicas, da jovem guarda. “Estou amando loucamente a linda bisavó de um amigo meu/ ela não tem dente..”. Eu gostava de fazer paródia. Eu tinha um cabelo comprido, não lembro do personagem, mas era muito engraçado. Era uma sátira do iê-iê-iê”

“TV de Comédia era focado no que estava em cartaz nos cinemas, no que era sucesso. Ah, agora tá na moda vampiro, pronto Vietri fez Cuidado, o Terceiro Degrau da Escada está quebrado. Eu fazia um mordomo, de rosto muito branco andando, até que chego num sarcófago, pego um estilete de madeira, um martelo, olho para a câmera e dou um grito... “TV de comédia apresenta o horroroso Marcos Plonka, a pavorosa Marisa Sanches em “Cuidado, O Terceiro Degrau da Escada...” Era a história de um ônibus de turistas encalhado num lugar isolado, onde tem um castelo. Depois a moda eram filmes italianos de Maciste. Vietri aprontou Maciste Contra Sansão, Elias Gleiser como Maciste e eu como Sansão e nós fazíamos coisas que o elenco não sabia. Dos spaghetti westerns, teve O Cruzeiro Furado, e eu era o chefe dos índios, o Cacique Touro Sentado. Aprontei e escutava a risada do Vietri pelo fone. Vem umas índias e me dizem “o grande chefe branco está esperando”... Na barraca, peguei uma coisa compridinha daquelas que joga óleo, sei lá porque estava lá, e comecei a usar como se desodorante fosse. Vietri soltava gargalhadas, chorava de rir”

Com Néa Simões e Jacira Silva: Antonio Maria
“Em 1968, quando fiz Antonio Maria, recebi um telefonema noturno do Vietri, o que era normal. Ele me disse que amanhã iria gravar um negócio grande comigo, a história do Corpo de Bombeiros, com datas, locais e detalhes. Me pediu para chegar mais cedo. Às oito da manhã estava nos estúdios, ele me deu um calhamaço, e na sala da família onde estava o Sergio Cardoso, Cabo Honório, meu personagem, contava a história do corpo de bombeiros. E provavelmente essa cena me valeu o título de Bombeiro Honorário.
O título honorário dos bombeiros não existia, fui o primeiro a recebê-lo, no Paraná, num 2 de julho, que era o Dia dos bombeiros. E o casamento do meu personagem foi gravado na Igreja dos bombeiros, numa travessa da Tiradentes, com a presença do comandante do corpo de bombeiros.

Com Lucia Mello: Nino, O Italianinho
Max, o meu personagem em Nino, O Italianho (1969), era engraçado pela forma de falar e pelo jeito que ele agia. Uma cena marcante para todo o elenco foi a de uma festa junina na vila e, quando começaram a jogar fogos, seu Max tinha um acesso de fúria, de desespero. Essa crise pára tudo. As pessoas adoravam ele. Ele ficou sentado nas escadas que davam acesso as casas, junto com o Juca de Oliveira e a Aracy Balabanian, os outros todos foram embora. Ele continua chorando e começa a falar as memórias dos tempos de concentração e da família que ele perdeu. Era uma cena de várias páginas, com cenas de campo de concentração que iam se fundindo com o meu rosto enquanto eu falava as coisas. Lembro como se fosse hoje, Aracy e juca choravam, os câmeras choravam. Fiz a cena de uma vez só. Quando terminou, veio um grande aplauso, os colegas todos, técnicos e atores. Vietri chorava”

3 comentários:

Nilson Xavier disse...

Linda essa homenagem!

Grande ator!

Mário Viana disse...

Belo texto, Vilmar!!!!

Duarte Gil Gouveia disse...

Obrigado e meus aplausos ao amigo Ledesma que mais uma vez não deixou no esquecimento tamanho personagem da nossa arte maior. Plonka sempre será lembrado como um grande artista e amigo. Infelizmente perdemos mais um grande pilar da tradicional academia que foi a TV Tupi. Que nossos amigos que estão lá em cima recebam o Plonka com uma calorosa salva de palmas. Obrigado Deus por me fazer conhecer Marcos Plonka e obrigado Plonka por me aceitar como amigo. Que Deus e nossos amigos cuidem de voce.

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